Havok - Conformicide
12 - Faixas - Shinigami Records - 2017

    Dispostos a segurarem a bandeira do Thrash Metal no futuro, o quarteto norte-americano de Denver ( capital do estado do Colorado ) formado em 2004 e conhecido como Havok trabalhou por quase três anos em seu novo álbum, que foi intitulado como Conformicide. Nos três anteriores ( Unnatural Selection - 2013, Time Is Up - 2011 e Burn - 2009 ), eles já estavam quebrando pescoços com sua sonoridade agressiva, sendo que o novo trabalho vai além, segundo a definição do vocalista, guitarrista e fundador David Sanchez: "Conformicide é mais rápido e mais raivoso do que Unnatural Selection. Neste álbum, a música tem várias camadas e é dinâmica e as letras falam especialmente sobre o estado atual do mundo". Conformicide marca também a estreia em estúdio do Havok com o baixista Nick Schendzielos no lugar de Mike Leon ao lado do guitarrista Reece Scruggs, do baterista Peter Webber e claro, o citado, David Sanchez.

    As gravações, mixagem e produção de Conformicide foram realizadas entre abril e maio de 2016 junto ao produtor Steve Evetts ( que já trabalhou com Sepultura, The Dillinger Escape Plan, M.O.D. e Warbringer ) e foi realizada no Garden Grove/Grovo Studio e a masterização é de Allan Douches. Na capa temos uma caveira destacando-se seu cérebro com uma prisão mental sendo quebrada, que é assinada por Halsey Swain e a cada música no encarte do cd, uma impactante e excelente ilustração. Vamos as faixas desta trupe que segue a linhagem dos nomes da Bay Area e dos mais conhecidos do Thrash Metal.

    Com belos e um tanto que tristes, porém, sombrios dedilhados, que duram cerca de um minuto F.P.C. entra evidenciando os toques do baixista Nick Schendzielos em uma agressiva canção nos vocais, cadenciada no seu ritmo, que sofre uma inesperada modificação se tornando um Thrash Metal rápido e visceral, cuja letra tece ferrenha crítica ao politicamente correto, aliás, o título completo é Fuck Political Correctness ( o lixo comportamental que nos atormenta em todos os lados do mundo e procura ditar modismos do que é certo ou errado atualmente ) e da forma que é feita pelo Havok, certamente, vai te conquistar.

    E o novo integrante da banda, o baixista Nick Schendzielos mostra sua técnica nos primeiros instantes de Hang 'Em High para que depois estoure um andamento cru e avassalador com os vocais raivosos de David Sanchez, que são ótimos para um 'headbanging', além disso outro destaque é o estilo devastador de Peter Webber na bateria, que não concede descanso ao seu kit. Em Dogmaniacal, o Havok até começa de forma mais suave e sinistra, entretanto, quando desfere suas pancadas... meu caro leitor(a) é para que os fãs do Megadeth ficarem atentos pela fúria contida nos vocais e no ritmo instrumental técnico e caótico, que é imposto aqui me levando a uma exclamação: que sonzeira!!! Em tempo... a letra aborda as religiões que enganam seus seguidores e visam apenas o dinheiro deles ou os levam para guerras.

    As narrativas de Tim Ryan atuando com Lyle Lyott tais como um noticiário, que estão contidas no início de Intention To Deceive nos trazem um Thrash Metal que cresce e aumenta sua potência à maneira que seus contagiantes riffs de guitarras contracenam com seus vocais de forma a produzir uma vontade de gritar seu título com David Sanchez, além de induzir a uma nova entrada nas rodas quando eles aceleram o andamento nos solos de guitarras e a letra é uma crítica sobre aceitar os descalabros dos governantes e não se rebelar ( será que se inspiraram na realidade brasileira para esta? ). Quem leu o livro 1984 de George Orwell vai entender bem a letra de IngSoc, além de entender quem é o Big Brother ( se você não leu... faça isso o quanto antes!!! ) e como os regimes políticos tentam aplicar seus preceitos em nosso dia a dia, pode reparar e me fale, tanto que seus mantras foram inclusos em um Thrash Metal cadenciado e elaborado com variações rítmicas ricas e impressionantes junto com vocalizações raivosas. Inclusive repare na atuação dos guitarristas Reece Scruggs e David Sanchez sentindo como seus solos te enchem de adrenalina no que para mim é a minha favorita do cd.

    Masterplan começa com um estilo quase que militar em seus toques na bateria executados por Peter Webber, que são acompanhados por solos mais melodiosos na guitarra de Reece Scruggs até sua transformação ocorra e seja disparado um feroz Thrash Metal de vocais coléricos - e sem piedade - em uma nova crítica às religiões, sendo que a eletricidade desta sexta faixa é para socar o ar, sacudir o pescoço e agitar consideravelmente com tamanha avalanche sonora. Novamente surpreendendo na construção de baixo e bateria na sétima faixa de Conformicide, que é a matadora Peace Is In Pieces, onde além dos vocais furiosos de David Sanchez ressalto também os matadores solos de guitarras que amplificam o poder de fogo desta música, que me levam a concluir: aqui o Havok se superou.

    De ares mais rápidos, que passam a sensação que estão descendo a ladeira para esmagar tudo, Claiming Certainty é ancorada por sua envolvente base instrumental, onde não consigo dizer qual instrumento aparece mais por conta de sua sincronia com o outro e pela cólera de seus vocais, só posso afirmar que é uma das melhores do cd. Após o sinal de ataque aéreo e sons de uma cidade em pleno caos total, o andamento imponente do Havok chega com Wake Up, cuja ira de sua letra, seu refrão que crava na cabeça e os seus riffs fabulosos tocados pela dupla David Sanchez e Reece Scruggs fazem apreciar esta nona música de Conformicide em sua primeira audição

    O quarteto de Dever nos mostra mais uma explosiva faixa com a cadenciada Circling The Drain, que exala fúria nos vocais, possui uma sequencia instrumental de muita categoria com solos incríveis do baixista Nick Schendzielos, que abrem espaço para as partes aceleradas até que sejam retomado o seu ritmo inicial em que você gritará seu título com David Sanchez. Se acabasse no tracklist normal, Conformicide já seria um discão, mas, a Shinigami Records incluiu dois bônus nesta edição brasileira: primeiro a curta e dilacerante String Break e depois a versão do Havok para Slaughtered do Pantera, que ficou tão cortante quanto a original ( talvez até um pouco mais, mas aí várias audições comparativas serão necessárias ).

    O Havok realmente conseguiu com este Conformicide o seu melhor álbum de estúdio, que pode e deve ser incluso nas listas de melhores de 2017, além de deixar claro que eles poderão sim ocupar o trono do Thrash Metal quando Megadeth, Slayer, Metallica e Anthrax se aposentarem, porém, que isso demore para acontecer, pois, não podemos imaginar um mundo sem o Big Four... sem Exodus... sem Testament... uau!!! Aí é muito caos demais...
Nota: 10,0.

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Por Fernando R. R. Júnior
Novembro/2017

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