Yuri Fulone - Descobridores
 10 Faixas - Classic Metal Records - 2024

    No ano de 2005, o multi-instrumentista Yuri Fulone iniciou sua carreira como o tecladista de uma banda cover do Rhapsody, que posteriormente tornou-se o Warpride e lançou uma demo muito bem aceita pela crítica, que foi seguida por um álbum completo e salientou a banda no cenário Power Metal, aliás, ele era o principal compositor.

    Em 2014 ao lado de Rafael Agostino e Márcio Barros, Yuri Fulone lançou o seu primeiro álbum solo, o When The Sky Meets The Earth e o EP The Blacksmith. Nos anos seguintes, em 2016 tivemos o segundo EP In The Steel You Can Trust e em 2017 o debut com o Your Kingdom Will Fall. O segundo álbum de estúdio foi o Fernão Dias Paes de 2019 e em 2024, o terceiro intitulado como Descobridores e que é o assunto desta resenha.

    Neste álbum, Yuri Fulone tocou baixo, teclados, violão e gaita galega ( fole ) e segundo ele, Descobridores, é uma obra que mais se aproxima da perfeição e sua sonoridade remete aos tempos das Grandes Navegações portuguesas e as grandes descobertas ( como a chegada ao Brasil da esquadra de Pedro Álvares Cabral ).

    Participam nas dez músicas de Descobridores os vocalistas Nuno Monteiro ( Liar Symphony ), Denis De Martins, Nayara Camarozano e Pedro Esteves ( Liar Symphony ), sendo que este último comandou as guitarras e também o baterista Alessandro Kelvin. Já as narrações ficaram por conta de Vasco de Ataíde. Na capa vemos as naus portuguesas no mar em uma arte muito bonita e no encarte desenhos relacionados com a temática histórica que residem em suas letras, que além de serem em português relatam a nossa história e temos também um mapa das regiões conhecidas no Séc XV. Descobridores foi gravado entre 2020 a 2023 no Estúdio Masterpierce em Guarulhos/SP.

    Como o contexto histórico é muito forte neste trabalho, aliás, fundamental, as narrações e o estilo épico exibido nos teclados e seus efeitos estão presentes em 1500, sendo que esta faixa já conecta e conquista o ouvinte para pegar esta obra e imergir em seu conceito.

    Em seguida temos a vibrante Canção dos Navegantes enaltecendo a pegada cinematográfica do cd através dos seus vocais em coro, dos seus teclados, dos seus toques de bateria, dos seus riffs de guitarras empolgantes e da gaita de fole criando um ambiente Power Metal grandioso tal qual o tamanho das navegações feitas pelos portugueses que estão ressaltadas em sua letra, que te inspiram para acompanhar o coro vocalizado por Nuno Monteiro. Uma curiosidade, que foi contada pelo Yuri Fulone: “Para a surpresa de muitos uma gaita de fole foi o primeiro instrumento documentado a ser tocado para os índios no Brasil pelos próprios descobridores em 22 de Abril de 1500, este detalhe descrito na carta de Pero Vaz de Caminha teve grande relevância na composição do instrumental desta versão Power Metal.”

    Vasco de Ataíde retorna nas narrações de Mares Distantes Nunca Navegados e logo após sua participação temos riffs de guitarras melodiosos que trazem os vocais e a harmonia da canção, que são devidamente centradas no Heavy/Power Metal com trechos baseados na obra Os Lusíadas de Luís de Camões. Os vocais ficaram por conta de Denis de Martins e os solos de guitarras foram capitaneados por Pedro Esteves, que passaram muita emoção a cada verso.

    A famosa frase Terra à Vista é prenunciada logo após outra narração, que seguem por ótimos e adequadamente Melódicos solos de guitarra tocados com habilidade por Pedro Esteves e depois recebemos vocalizações cativantes e uma melodia em um crescente deveras formoso, que conta quando a esquadra de Cabral aportou no Brasil, na Terra de Vera Cruz e se impressionou com a beleza de nosso país.

    O primeiro encontro com os nativos tem sua narração e letra sob o ponto de vista dos portugueses em uma construção feita com primor por Yuri Fulone na acelerada e robusta Encontro de Dois Mundos e um estilo direcionado ao Power Metal e a forma que seus vocais são exibidos te conquistam imediatamente e ficam na memória. Os toques no piano finalizam a música e exalam caráter épico valorizando ainda mais a composição.

    Depois é a vez da sexta de Descobridores, que é a instrumental e em Índios e Gaitas, Yuri Fulone, após mais uma narração feita por Vasco de Atayde nos convida e informa que uma gaita de fole fez o primeiro instrumento que os índios ouviram e a sonoridade cravada na música consegue que nos fazer sentir e imaginar como foi contato destes dois povos totalmente distintos entre si.

    De ares dramáticos e esbeltos, tal qual como no cinema, a seguinte, que recebeu o título de A Carta temos algumas breves narrações de Vasco de Ataíde citando a missão de Pero Vaz de Caminha para retratar a beleza da Terra de Santa Cruz, que posteriormente chamamos de Brasil. Interessante como Yuri Fulone optou por nos dizer isso através de uma canção instrumental em que os solos de guitarra destacam-se mais.

    Para a oitava, que é a Calicute, notamos um ritmo mais poderoso e sua letra é sobre quando os portugueses voltaram para o mar rumo a Índia em uma ambientação Power Metal de final viajante, onde novamente seus vocais nos concedem todos os aromas comoventes dos portugueses que não queriam mais sair da Terra de Vera Cruz, sendo que isto é definitivamente exposto nas narrações de Vasco de Ataíde e também no formato beligerante de seus riffs de guitarras, assim como nos vocais agudos ao seu término ( que também fixam na mente ).

    A penúltima do disco é a acelerada Cabo das Tormentas e entre suas variações entre o Power Metal e o Heavy Metal e vale dizer que... além dos seus ares épicos garantirem outro ótimo momento do álbum... temos aqui ótimas vocalizações. O Cabo das Tormentas teve seu nome modificado para Cabo da Boa Esperança ( no sul da Cidade do Cabo na África do Sul ), todavia muitos navios afundaram e muitas vidas foram ceifadas por lá.

    Descobridores termina com sons do mar, canto de pássaros e um cativante solo de guitarra e de teclados concluindo com a canção Brasil este capítulo inicial de nossa história, que salvo pela voz do narrador Vasco de Ataíde que reconta o destino final de Cabral e sua frota, que de 1500 homens, apenas 500 retornaram à Portugal. O mais bacana é que Yuri Fulone nos colocou diante de outra canção instrumental que passa uma leveza saborosa de se ouvir.

    Yuri Fulone conseguiu alcançar a alquimia sonora na medida com Descobridores ao mesclar com precisão tanto o lado musical de Heavy e Power Metal quanto o lado histórico em um disco só e fez destas dez canções uma agradável e prazerosa audição de pouco mais de 33 minutos deste álbum disponibilizado no Brasil pela Classic Metal Records.
Nota: 8,0.

 Por Fernando R. R. Júnior
Março/2026

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