Iron Maiden - The Future Past Tour 2024
 Abertura: Volbeat
Estádio Allianz Parque em São Paulo/SP
Sexta, 06 de Dezembro de 2024

Noite célebre de um espetáculo musical, visual, sensorial e atemporal

    Depois de pouco mais de dois anos da segunda parte da Legacy Of The Beast World Tour ( leia matéria ), a lendária banda inglesa de Heavy Metal Iron Maiden retornou para o Brasil para duas apresentações esgotadas ( ou sold out ) com quase um ano de antecedência no Allianz Parque em São Paulo/SP, que encerraram a The Future Past Tour 2024.

    Esta turnê relembra de algumas das músicas do clássico álbum Somewhere In Time de 1986 e outras do mais recente Senjutsu de 2021, além de alguns dos sucessos que sempre esperamos em um show da "Donzera de Ferro". E o seu grande clímax foi a inclusão de Alexander The Great no set list, pois, desde a época da Somewhere On Tour entre 1986 e 1987, que os fãs sonhavam em conferir esta música sendo executada pela banda e - finalmente - chegara a hora.

    Entretanto, estas duas datas em São Paulo/SP se tornaram ainda mais históricas não somente porque tivemos o prazer de ver, cantar e sentir Alexander The Great ao vivo, mas, pela notícia que ficamos sabendo no sábado dia 07 de dezembro de manhã: que estes dois shows foram os últimos do baterista Nicko McBrain com o Iron Maiden. Desta forma, vi o penúltimo show e naquele momento nem imaginava que seria o penúltimo. Todavia, vou recuar um pouco no tempo e contar como foi a abertura dos dinamarqueses do Volbeat.

Ínterim: Ruas do Allianz Parque

    Um show do Iron Maiden é sempre uma celebração do Heavy Metal e dos admiradores - praticamente devotos - do sexteto inglês, nem sempre chegam e já vão direto para o Estádio, eles se reúnem nos bares ao redor e bebem uma cerveja... e tal qual como ocorreu em 2016 ( relembre aqui ) próximo do bar que parei havia uma banda cover do Iron Maiden e esta é justamente uma das melhores que tocam o repertório no Brasil... estou falando da Children Of The Beast. Foi bacana que ao assistir um pouco do set da Children Of The Beast  e por lá encontrei também alguns amigos de Poços de Caldas/MG e sem combinar nada, coisas, que só acontecem com os headbangers.

 

Volbeat

Postulantes ao trono?

    Depois do credenciamento - onde registro já aqui os meus agradecimentos para a Move Concerts e para a Midiorama -  e uma rápida passagem pela sala de imprensa fui direto para a pista procurar um ótimo lugar visualizar os shows, afinal, o Allianz Parque ficaria completamente tomado pelos fãs em pouquíssimo tempo.

    E da capital dinamarquesa Copenhague - precisamente no horário marcado às 18:50 - o Volbeat que faz uma competente mescla de Rock and Roll, Heavy Metal e Rockabilly desde 2001 subiu no palco. Neste início de noite em São Paulo, o carismático Michael Poulsen nos vocais e guitarra, Kaspar Boye Larsen no baixo e Jon Larsen na bateria foram acompanhados por Flemming C. Lund na guitarra ( posto que até 2023 contava com ex-Anthrax Rob Caggiano ) e escolheram um set list que relembrou de seis de seus oito álbuns de estúdio em um show de uma hora de duração.

    Com uma iluminação limitada, comum para as bandas de abertura em grandes shows como o Iron Maiden, o quarteto entrou no palco logo após Born To Raise Hell do Motörhead ecoar nas caixas de som do Allianz Parque e abriram o show com a poderosa The Devil's Bleeding Crown do Seal The Deal & Let’s Boogie de 2016, que agradou o público, sendo que a canção é dotada de ótimos solos de guitarras, que geraram vários "Hey... Hey... Hey..." dos fãs encantados com a voz de Michael Poulsen, que ao término gritou "São Paulo Brazil...". Eles seguiram com a empolgante Lola Montez, que representou o álbum Outlaw Gentlemen & Shady Ladies de 2013, cuja atmosfera garantiu mais "Hey... Hey..." e palmas para a banda, que retribuiu com os solos sempre transbordando a energia da música.

    Michael Poulsen não se movimentou muito no palco, apenas alternava do centro para a esquerda ou para a direita, e neste ponto cantava os versos das músicas do set list do Volbeat, ainda assim, soube como manter a plateia atenta e assim saudou o Allianz Parque dizendo que é uma grande honra estar abrindo o show do Iron Maiden pela primeira vez no Brasil e solicitou a ajuda dos fãs para a relativamente Country Sad Man's Tongue do Rock The Rebel/Metal The Devil de 2007, que começou no violão e depois ganhou peso e uma aceleração bem Rock'n'Roll muito bem aplicadas pelo Volbeat e isso, além de um breve trecho de Ring Of Fire do mestre Johnny Cash.

    A Warrior's Call do Beyond Hell / Above Heaven, o quarto disco lançado em 2010, prosseguiu o show e era bem conhecida dos fãs, que agitaram mais em sua exibição permeada com muitos solos de guitarras de Michael Poulsen e Flemming C. Lund. Para Black Rose, que foi gravada no Seal The Deal & Let’s Boogie, o Volbeat embasou suas linhas nos solos de guitarras e na voz envolvente de Michael Poulsen, que a cada vez que solicitou a participação dos fãs ganhou um "ôôôôôôôôôôw" bem forte e muitas palmas no ritmo da música. 

    Comandando muito bem a multidão, Michael Poulsen pediu para que nós gritássemos "Wait" e prontamente atendemos para obter em troca a adrenalina contida em Wait a Minute My Girl do último de estúdio da banda, o Servant Of The Mind de 2021, que se você ainda não era fã dela, certamente, depois desta exibição ao vivo ficou, pois, o andamento de seu estilo Rockabilly é contagiante.

    Ainda neste disco ( Servant Of The Mind ), o Volbeat disparou a encorpada Shotgun Blues com uma pegada que inspirou a sacudir o pescoço, que foi o que fizemos e vimos que o Sepultura foi homenageado nesta noite pelo vocalista, que trajava uma camiseta dos tempos do álbum Beneath The Remains. E além dos riffs fervorosos reagimos também socando o ar e bradando muitos "Hey... Hey... Hey..." para o Volbeat.

    Mais uma vez, Michael Poulsen conversou conosco e sacou pouco depois a canção Fallen do Beyond Hell / Above Heaven, que é cativante, ótima para arenas e que evidentemente conquistou novos fãs para a banda, mesmo em uma plateia fanática como a do Iron Maiden. Confirmando essa minha afirmação, bastava olhar para os lados e ver as palmas da galera para a banda. Novamente, o vocalista convocou todos nós para participarmos na próxima do set, que foi a veloz e bem Heavy Seal The Deal, outra presente no Seal The Deal & Let’s Boogie, que também resultou em vários "Hey... Hey... Hey..." dos presentes e muitos solos eletrificados por parte da banda.

    Quase na reta final do show do Volbeat, o quarteto atacou com a 'motorheadiana' The Devil Rages On do recente Servant Of The Mind, que tem um andamento que dá vontade de abrir uma roda, o que só não fizemos por pura falta de espaço ( fato comum em shows de grandes bandas como o Iron Maiden ), mas, curtimos socando o ar e sacudindo os pescoços, pois, seus riffs de guitarras feitos por Michael Poulsen e Flemming C. Lund juntos ao peso no baixo tocado por Kaspar Boye Larsen eram altamente convidativos para isso.

    Antes da penúltima, Michael Poulsen agradeceu todos nós outra vez e apresentou seus três comparsas de banda e então tocaram a For Evigt do Seal The Deal & Let’s Boogie com uma interpretação marcante do quarteto, que neste ano somente se apresentou nestas duas datas ( antes, eles estavam em estúdio preparando o seu novo álbum ).

    Devidamente contente, Michael Poulsen questionou quem voltaria amanhã ( pena que não era o meu caso ) e agradeceu todos mais uma vez para terminar o show com a Still Counting do terceiro disco da banda, o Guitar Gangsters & Cadillac Blood de 2008, que salvo seu começo mais leve se trata de uma composição repleta de energia, que também teve com muitos "Hey... Hey... Hey..." e a homenagem feita ao Sepultura não ficou apenas na camiseta de Michael Poulsen, pois, o Volbeat encerrou com um trecho de Troops Of Doom da banda brasileira demonstrando o respeito e importância para o Heavy Metal mundial.

    Ao som de Trust Me de Brad Fiedel que é o tema do filme Exterminador do Futuro 2, o Volbeat se despediu de um Allianz Parque, que se não ainda estava lotado, logo ficaria e eles nos deixaram a certeza que são uma banda que merecem uma apresentação completa em São Paulo somente suas, pois, respondendo a pergunta do início da parte da matéria do Volbeat... eles são sim um dos grandes nomes do Heavy Metal para os próximos anos e capazes de serem headliners nos vindouros festivais do futuro ao lado de Gojira e Mastodon ( embora esta dupla seja mais pesada, aliás, que shows matadores deles ano passado em São Paulo - confira matéria ).

Set List do Volbeat

Intro: Born To Raise Hell
1 - The Devil's Bleeding Crown
2 - Lola Montez
3 - Sad Man's Tongue
4 - A Warrior's Call
5 - Black Rose
6 - Wait a Minute My Girl
7 - Shotgun Blues
8 - Fallen
9 - Seal The Deal
10 - The Devil Rages On
11 - For Evigt
12 - Still Counting
Outro - Trust Me

Iron Maiden

Back To Eighties

    E às 20:55, o clássico que há muitos anos é responsável por nos informar que o Iron Maiden está prestes à entrar no palco foi executado em todas as caixas de som espalhadas no Allianz Parque... estou falando da icônica Doctor Doctor do sensacional UFO, uma das melhores bandas dos anos 70, que até pouco tempo atrás estava atravessando o mundo realizando muitos shows, que Steve Harris é um grande fã e que gritamos fortemente e integralmente alegres sua letra como se já fosse o show do Iron Maiden rolando ( e enfim.. era mesmo ).

    Entretanto, nesta The Future Past Tour não foi somente a Doctor Doctor que fez a abertura do show, pois, como estamos falando viagens no tempo, o Iron Maiden nos levou até os anos 80 com a música Blade Runner ( End Titles ) do grego Vangelis, que tal como na Somewhere On Tour, abria os shows ( que sabemos por assistir um VHS ou o seu vídeo no Youtube com imagens e som baixa qualidade, pois, não existe uma gravação oficial desta época ). Assim como antigamente, ouvir esta música deste 'filmão' Blade Runner de 1982, que é um clássico da ficção científica e estrelado por Harrison Ford significou a imersão direta para a década de 80.

    E posso dizer que nesta hora um portal se abriu e retornei para o ano de 1986 ( quando ouvi pela primeira vez o vinil do álbum Somewhere In Time ) e lembro que ficávamos olhando cada detalhe da capa e da contracapa, cada referência às músicas, aos discos e singles do Iron Maiden, enfim, é uma experiência que recomendo cada um dos mais novos realizarem ( inclusive, faço isso até hoje cada vez que pego o disco para ouvir ).

    Assim que voltei ao presente, vi que a iluminação do palco com luzes azuis sequenciais e raios de luz pareciam um computador ou uma máquina do tempo em funcionamento também ajudaram nesta viagem o passado, pois, refletiam o clima da tour de 1986 e isso durou até que fomos expostos à Caught Somewhere In Time ( do disco Somewhere In Time ) com seus longos riffs melodiosos e sintetizados ( também tocados apenas nas caixas de som ) que já acompanhamos nos "ôôôôôô..." ( praticamente ensurdecedores ) e pulando bastante até que após uma explosão vimos Nicko McBrain na bateria, Janick Gers, Adrian Smith e Dave Murray nas guitarras, Steve Harris no baixo e Bruce Dickinson nos vocais executando-a pela primeira vez no Brasil essa música elevando ao máximo nossa empolgação e no backdrop um cenário futurista com temáticas japonesas enfatizando o cruzamento dos álbuns Somewhere In Time com o Senjutsu.

    Interessante de salientar também que nas laterais desse backdrop haviam dois painéis digitais exibindo imagens de acordo com as músicas tocadas e isso não existia nas outras turnês do Iron Maiden por aqui, ou seja, uma novidade inteiramente aprovada..

    Bruce Dickinson ( que esteve no no Brasil em maio para a sua turnê solo do álbum The Mandrake Project solo - veja aqui como foi em São Paulo ) trajava um sobretudo cinza e óculos pretos futuristas foi o último a entrar para comandar como sempre com toda sua garra a plateia, que correspondeu extasiada cantando cada verso com ele da Caught Somewhere In Time e nos solos de guitarras, que brilhou logo de cara foi Adrian Smith com uma precisão - como sempre - incrível. Nesta ouvimos o primeiro "Screaaam For Me Sãoooo Pauuuloooo..." pronunciado por Bruce Dickinson e óbvio que berramos muito com ele durante todo o show.

Eddie sorrateiro

    Ainda mergulhados na atmosfera do Somewhere In Time tivemos outro debut no Brasil com a Stranger In a Strange Land, que foi saudada por uma chuva de "Hey... Hey... Hey..." dos fãs e nesta tivemos um visitante no palco... o Eddie cyborgue, que apareceu discreto com sobretudo, chapéu de caçador de recompensas e uma arma, todavia, esta foi uma breve visita em que olhou a banda e mostrou sua arma, provavelmente, procurando um alvo. De novo Bruce Dickinson contou com um coro de milhares de vozes de todo o estádio cantando com ele os versos e nos solos, outra vez, Adrian Smith e Dave Murray capitanearam a festa.

    Sem saber do que seria divulgado posteriormente, a multidão já gritava "Nicko... Nicko... Nicko..." saudando baterista grandalhão, que havia feito repiques nos pratos na canção anterior primorosos e ele superou um AVC com um trabalho de reabilitação de 10 semanas de fisioterapia intensiva com uma força de vontade extraordinária. Ele sempre toca descalço e 'some' atrás de seu gigante kit de bateria.

    Com o backdrop de um Eddie em um motocicleta notamos que a terceira seria a The Writing On The Wall do Senjutsu, que foi muito bem aceita desde que seu clipe saiu - de estilo futurista, porém, apocalíptico - e que na Legacy Of The Beast World Tour de forma que conquistou seu lugar nas turnês do Iron Maiden, mas, conforme anunciado pela banda, ela não estará na Run From Your Lives Tour World Tour porque este giro prestigiará apenas as músicas lançadas até o álbum Fear Of The Dark.

    Adrian Smith dedilhou no violão o princípio de The Writing On The Wall, que foi recebida com entusiasmo nas palmas gerando muitos "Hey... Hey... Hey...", tanto que quem solou brilhantemente foi Dave Murray e depois Adrian Smith com sua Jackson branca enquanto que no refrão Bruce Dickinson inteligentemente dividia o microfone conosco.

Viagens através do tempo

    Os solos poderosos de Days Of Future Past deram continuidade e nesta composição do Senjutsu, que ficou muito boa ao vivo com seu padrão progressivo evidencio alguns detalhes no backdrop: a data de fundação do Iron Maiden ( 25 de dezembro de 1975 ), a data de lançamento do Senjutsu ( 03 de setembro de 2021 ) e data de lançamento do Somewhere In Time ( 29 de julho de 1986 ), além de uma tela na esquerda referente ao Japão feudal e na direita a uma cidade nipônica futurista lembrando demais as informações inclusas no computador de bordo do De Lorean do filme De Volta Para o Futuro, afinal, para viajarmos no tempo necessitamos de uma máquina do tempo.

    Aos gritos alternados de "Maiden... Maiden..." e "Nicko... Nicko...", Bruce Dickinson falou com o público dizendo que o sábado era a última vez de voltar no tempo com o último show da turnê, questionou quem havia nascido depois de 1986 ( a grande maioria dos presentes ), citou o De Lorean, e, além disso, comentou do calor que fazia ( estava mesmo... modo fornalha ligado... ufa!!! ).

    Nos dedilhados no violão feitos por Janick Gers, a impactante e também mais progressiva The Time Machine fechou a trinca pertencente ao Senjutsu e os devotos também participaram intensamente com a banda foram brindados com todas as riffleramas da canção feitas em sua maior parte por Dave Murray e Adrian Smith para que o inquieto Janick Gers pudesse se mexer incansavelmente e fazer todas suas estrepolias com sua guitarra no canto direito do palco, que basicamente é o que ele faz o tempo todo, de forma que isso não é uma crítica, pois, sua diversão sempre com sorrisos também faz parte do conceito de uma visão maior do que é o Iron Maiden no palco.

    Retornando até o ano de 1982, os ingleses atacaram com The Prisoner devidamente precedida pelas falas do início da série, que inflamaram ainda mais os fãs com seus solos fulminantes com este clássico do Heavy Metal em que todos nós pudemos relembrar do The Number Of The Beast com outra exibição de gala da banda e um comentário pessoal: foi a primeira vez que acompanhei esta música ao vivo em um show, cujos solos foram primeiro de Adrian Smith e depois de Dave Murray e onde reparei que Steve Harris mirou seu baixo em direção a plateia - como ele costumeiramente faz - pela primeira vez nesta noite.

Professor em ação

    Com um longo discurso, Bruce Dickinson comentou que viu muitos rostos novos no show e nos agradeceu por lotarmos os dois dias em São Paulo e então, falou sobre a tentativa de exterminar os celtas e que por mais que tentaram nunca conseguirão por conta de seus legados culturais, o que se aplica plenamente nos dias de hoje em que certos imbecis que tentam o mesmo no mundo.

    Após a pequena aula de humanismo e de história, Steve Harris no baixolão iniciou a também progressiva Death Of The Celts do Senjustu, que ganhou peso em seu decorrer, fumaça no palco e muitos formosos solos do trio de guitarristas da banda durante os seus dez minutos de duração ( que foram tão sublimes que nem pareciam que era uma canção longa ) em uma interpretação muito fiel ao disco, nos mantendo praticamente enfeitiçados com cada um dos membros do Iron Maiden e, em especial, o seu vocalista, que mexeu suas pernas e seus braços colocando um feeling único a cada estrofe.

Impecáveis

    "One... two... three... four..." deste modo tivemos Can I Play With Madness do Seventh Son Of a Seventh Son de 1988, que assim como em 2008 chacoalhou este mesmo estádio ( relembre aqui ) com seus riffs, seu punch e sua vibração, que norteou nossa euforia em que mais uma vez Adrian Smith solou distintamente. No backdrop principal, a capa do single de Can I Play With Madness e nos painéis laterais o seu clipe era exibido.

    Heaven Can Wait - que trouxe de volta o backdrop futurista de uma cidade japonesa - teve uma enorme participação dos fãs, em particular nos "ôôôôôôôôô" e contou com a entrada do Eddie cyborgue, que aconteceu durante os solos de guitarras procurando o vocalista Bruce Dickinson ( que estava na parte superior do palco andando para lá e para cá vestido com o sobretudo ) e este tirou o pano que cobria o seu 'canhão de raios laser' disparando de volta no mascote da banda em um duelo que adoramos ver ( em tempo saíram fogos de artifício que produziram um efeito visual admirável com Janick Gers quase no meio de ambos os 'lasers' ). Desta vez, por conta da presença do Eddie não tivemos os fãs no palco com a banda, mas, sem problemas, participamos amplamente de onde estávamos e a plenos pulmões.

Ápice colossal

    Derrotado na batalha, Eddie foi embora e chegamos então ao momento mais marcante desta apresentação do Iron Maiden, que foi a tão aguardada ( e sonhada ) exibição de Alexander The Great do Somewhere In Time com o fundo do palco um Eddie com vestimentas de um soldado da Macedônia. Alexander The Great começou com as falas do rei Felipe II, pai de Alexandre, o Grande para ele e a música nos atingiu em cheio logo em seus magníficos solos iniciais protagonizados por Adrian Smith e em suas linhas viajantes, que foram seguidas por muitos "ôôôôôôôôô" e depois "Hey... Hey... Hey..." daquela multidão estourando de felicidade por presenciar esta canção em que poderemos dizer no futuro: "eu estava lá".

    E o Iron Maiden não deixou por menos e nos deixou simplesmente fascinados com a maestria que mostrou em cada solo de guitarra ( valeu Adrian Smith e Dave Murray ), em cada linha de baixo, em cada toque de bateria e em cada vocalização. Bruce Dickinson no centro e no alto do palco ainda aproveitou para soar o gongo atrás de Nicko McBrain por algumas vezes. Em suma, simplesmente épico!!!

Sceam For Me...

    No set list do Iron Maiden desde quando estreou em 1992, Fear Of The Dark começou com os toques nos pratos feitos por Nicko McBrain e com os seus conhecidíssimos solos de guitarras iniciais feitos por Dave Murray e Janick Gers junto a Steve Harris no baixo, que vieram para não deixar nós respirarmos e pensarmos no momento inigualável que havíamos visto instantes antes, pois, esta composição coloca fogo em quaisquer um dos quase 50.000 presentes, que já saíram cantando nestes solos os "ôôôôôôôôôôôô" como se fossem um cântico religioso e prosseguiram cantando com Bruce Dickinson, que estava lá no alto do palco e posteriormente no lado esquerdo ( no rumo de onde eu estava ), que fez questão de passar para nós parte dos vocais até a parte em que seu lado Heavy Metal eclode e que reagimos cantando, pulando, socando o ar e bangueando bastante ( isso se o espaço disponível deixasse ).

    Mesmo não correndo pelo palco tanto quanto outrora, Bruce Dickinson regeu os fãs seja no centro, na esquerda ou na direita enquanto que os guitarristas solavam e nós respondiámos com muitos "ôôôôôôôôôôôô" até gritarmos "Fear Of The Dark...." com ele repetidas vezes.

    "Screeeam For Me Saoooo Pauloooo.... Screeeeam For Me Saoooo Pauloooo.... The Iroooon Maaaaiiideeeen...." - palavras ditas por Bruce Dickinson de uma forma que já sabemos que estava na hora de agitar freneticamente, pois, eles tocaram a bordoada do primeiro disco lá de 1980, que de certa forma marcou o início de tudo... refiro-me a Iron Maiden em que outra vez pulamos e berramos sem parar e nesta foi a vez do Eddie samurai do Senjutsu comparecer no palco dirigir-se para o lado de Janick Gers lutando com ele à medida que  toda a sinfonia Heavy Metal acontecia. O apogeu estonteante aconteceu com várias labaredas de fogo, com Janick Gers girando sua guitarra incessantemente e a gigante cabeça do Eddie samurai que apareceu na frente do backdrop que lembrava da belíssima capa do álbum Somewhere In Time.

    Bruce Dickinson agradeceu todos nós dizendo que nós veria novamente mais tarde ou mais cedo em uma clara referência à próxima turnê ou mesmo ao show do sábado e quando eles vieram para a frente do palco para receber os aplausos, o mais ovacionado de todos foi justamente Nicko McBrain e - como disse mais acima - sem nós soubessémos que estávamos aclamando-o pela penúltima vez em um show do Iron Maiden.

Irrepreensíveis no bis

    Para o bis, eles escolheram mais uma do Senjutsu com a garbosa Hell On Earth, cujo o seu backdrop mostrou uma Nova Iorque devastada em que a Estatua da Liberdade estava estilizada em forma de Eddie. Steve Harris introduziu a música no baixolão e Bruce Dickinson provocava nossa interação logo nestes primeiros dedilhados até que os solos de guitarras foram expostos.

    Aliás, friso que também atuamos energizados como sempre nos "ôôôôôôôô....", sentimos seus esplendorosos solos de guitarras, adentramos em suas linhas progressivas que amamos, aplaudimos, cantamos com Bruce Dickinson, enfim, mesmo com pouco mais de onze minutos, que estreia reluzente de Hell On Earth e com direito a muitas labaredas de fogo na parte superior e dos lados do palco ( que deu para sentir o calor destas chamas ).

    Quase no final do show, os ingleses quiseram derrubar o estádio com a deslumbrante The Trooper com sua rifflerama ardorosa que uniu Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers no centro inferior do palco produzindo junto com Steve Harris e Bruce Dickinson ( este lá na parte elevada ) toda aquela animação única que esta música do Piece Of Mind de 1983 é possuidora, que  respondemos com firmeza na parte de seus "ôôôôôôôôôôôwww", que indubitavelmente ainda impressionam seus veteranos criadores no palco.

    Terminando este espetáculo, Adrian Smith tocou o solo mais bonito de seus discos com o Iron Maiden ( e um dos mais belos dentre todos do Heavy Metal ) ao enviar a emblemática Wasted Years, que também teve aquela multidão cantando seus versos com Bruce Dickinson bastante satisfeitos e em um estado de êxtase. Em tempo, muito bacana foi ver o desenho da capa desta turnê no backdrop e nos telões laterais imagens de várias artes do Eddie com a camiseta da seleção brasileira.

Puro Heavy Metal

    Por fim, Bruce Dickinson agradeceu todo mundo, chamou o fotografo oficial da banda para registrar a imagem com todos nós ao fundo e ressaltou que estarão de volta em breve com a Run From Your Lives World Tour comemorando os 50 anos do Iron Maiden nos desejando também um Feliz Natal enquanto os demais jogavam suas palhetas, munhequeiras, etc.

    No entanto, Nicko McBrain jogou pela penúltima vez suas peles de bateria e suas baquetas com todos gritando seu nome vigorosamente até quando ele finalmente foi embora e Always Look On The Bright Side Of Life do Monty Python tocou nas caixas de som de estádio.

    Tivemos um show nesta primeira sexta feira de dezembro, que comparado com a Legacy Of The Beast World Tour, a produção foi um pouco menor, porém, com som espetacular, com efeitos visuais na medida, enfim, um show mais Heavy Metal. Contudo, o set list dos shows desta The Future Past World Tour foram adaptados para que Nicko McBrain não sofresse tanto para tocar cada uma de suas músicas e ainda assim foi tão grandioso quanto os anteriores de uma forma que só o Iron Maiden é capaz de proporcionar.

Viva sua vida

   Para findar esta matéria  que marcou o meu décimo show do Iron Maiden, quero dizer que eles foram ao passado, ao futuro e ao presente, enfim, usaram com sabedoria e de forma singular a sua máquina musical do tempo através de uma pequena fração de suas canções e se formos pensar para valer qual foi a principal mensagem deste fabuloso show... asseguro que foi o seguinte: temos que aproveitar o dia que estamos vivendo, não ficar pensando no passado ou no futuro... temos que viver o presente da melhor forma e divertindo-se ao máximo sempre que possível.

    Tenho certeza que assim como todos os milhares de fãs do Brasil presentes no Allianz Parque - e todos os outros que viram a The Future Past Tour pelo mundo - nós vivemos sim duas memoráveis e inesquecíveis horas de Heavy Metal que levaremos sua alegria conosco em todos os nossos dias de nossas vidas. Valeu Iron Maiden. Muito obrigado Nicko McBrain por fazer parte de nossas vidas sempre exibindo de forma solene o seu incomensurável talento na bateria do Iron Maiden por 42 formidáveis anos.

Texto: Fernando R. R. Júnior
Fotos: Stephan Solon - Move Concerts
e Fernando R. R. Júnior
Agradecimentos à Alex, Camila Dias e para toda a equipe
da Move Concerts e Midiorama
pelo credenciamento, atenção e principalmente pela oportunidade
Dezembro/2024

Set List do Iron Maiden

Intro 1 - Doctor Doctor
Intro 2 - Blade Runner (End Titles)

1 - Caught Somewhere In Time
2 - Stranger In a Strange Land
3 - The Writing On The Wall
4 - Days Of Future Past
5 - The Time Machine
6 - The Prisoner
7 - Death Of The Celts
8 - Can I Play With Madness
9 - Heaven Can Wait
10 - Alexander The Great
11 - Fear Of The Dark
12 - Iron Maiden

Encore:
13 - Hell On Earth
14 - The Trooper
15 - Wasted Years
Outro - Always Look On The Bright Side Of Life

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