Left To Die - Scream Bloody Leprosy Over Latin America
Abetura: Mortal Profecia

Sábado, 11 de janeiro de 202
Estúdio Mirage Eventos em Limeira/SP

Brutais, técnicos e aniquiladores

    O primeiro show que acompanhei em 2025 foi uma celebração ao legado do Death, banda que foi comandada em sua existência pelo saudoso e genial Chuck Schuldiner. E em uma feliz coincidência, ano passado também o primeiro show que vi foi também de uma banda que relembra do Death... pois é, se alguém dissesse para nós que em menos de um ano veríamos dois nomes que mantém a chama do Death acesa pelo mundo enaltecendo tanto o seu som fulminante quanto o seu criador, certamente, não acreditaríamos, porém, certos acasos acontecem e são responsáveis pela nossa satisfação.      

    Todavia, em 2024 quem balançou as estruturas do Estúdio Mirage Eventos em Limeira foi o Death To All ( relembre como foi nesta matéria ) em um set que relembrou de vários sucessos da carreira do Death, agora em 2025 foi a vez da superbanda Left To Die, que também presta suas homenagens à renomada instituição do Death Metal em outra apresentação marcante.   

    E de quebra tivemos a presença da veterana banda brasileira Mortal Profecia de Porto Feliz, cidade do interior de São Paulo e que teve sua formação no distante ano de 1989, que também realizou um show matador, que inclusive será o que comentarei logo abaixo.

Mortal Profecia

    Falando em coincidências e acasos, poucos instantes após entrar no Estúdio Mirage Eventos, visitar os estandes de merchandising, discos e o que vendia patches para as blusas... vejo o baterista Ney Paulino do Desdominus, cujo álbum Without Domain foi um dos primeiros que fiz a sua resenha para o Rock On Stage ( leia aqui ), que me apresentou para o Cristiano Mortho, baixista e vocalista do Mortal Profecia, e assim, ficamos conversando um pouco sobre a luta que nós amantes de Heavy Metal enfrentamos todos os dias para continuar com os nossos sonhos... seja tocar... gravar um disco... ou ter um site de Rock.

    Como o tempo passa rápido, esta conversa informal teve que ser cortada para que Cristiano Mortho pudesse se juntar a Diego Chuck ( guitarra e backing-vocals ), Eduardo Quartel ( guitarra ) e Rogéu Fregoni ( bateria ) para que precisamente às 19:50, o Mortal Profecia desse início ao show de abertura deste sábado dedicado ao Death Metal.

    O Mortal Profecia teve nos anos 90 e disponibilizou várias demos e um EP de 7", parou suas atividades e retomou em 2022 para lançarem o seu debut cd, o From The Ashes, que saiu em 2024 pela Black Hearts Records e Arsenal Distribution e de onde a maioria das músicas de seu set foram escolhidas.

   O quarteto começou o show com a canção título de seu cd, a From The Ashes, de princípio pesado e cadenciado para que pouco depois, os urros de Cristiano Mortho eclodissem nos expondo ao som do Mortal Profecia, que logo nesta primeira música ficou mais forte alternando variações demonstrando a capacidade do quarteto, que também deu para reparar nos solos feitos por Diego Chuck em sua guitarra ( que não parava de banguear por nada durante todo o show ), que desferiu uma canção violentíssima de acordo com o que os fãs de Death Metal esperavam.

    Detalhe, estes deathbangers, que estavam presentes no Estúdio Mirage Eventos eram uma galera que - provavelmente - o mais novo deveria ter uns 30 anos, ou seja, nada de garotada... era uma plateia de camaradas já experientes para dizer o mínimo e sedentos por presenciarem toda a destruição possível.

    O Mortal Profecia recebeu bastante aplausos dos presentes em um claro sinal de respeito à banda e também de aprovação à sua atuação no palco, sendo que o vocalista agradeceu nossa presença e então disparou a crua e visceral Cancer, cujos urros ferozes e ritmo arruinador provaram como temos no Brasil bandas que sabem executar Death Metal corretamente. Cristiano Mortho informou rapidamente que teríamos mais uma música do novo disco e promoveram um culto ao Metal da Morte com a Doctor Hangman, que certamente causou tremores pelo Estúdio Mirage Eventos, assim como a Reign Of Violence.

    Mesmo com tudo testado e checado previamente, infelizmente, alguns problemas acontecem de última hora e enquanto nós esperávamos calmamente pelo reestabelecimento da demolição feita pelo Mortal Profecia, Cristiano Mortho anunciou o Death devidamente rude Rotten Intestines On The Table, cujos riffs ríspidos desabaram em nós.

    Em seguida, o vocalista disse que tocariam um clássico do Death Metal Nacional e em português, desta maneira tivemos a assustadora Total Destruição do Vulcano, que deixou claro porque os santistas são um dos mestres no assunto e um dos mais importantes nomes do Death Metal no Brasil e a versão desta música executada pelo Mortal Profecia ficou uma verdadeira 'disgracera' sonora.

    Lembrando do ano de 1994 e prestando uma homenagem ao Painha, o quarteto atacou agora com a The Torture House, que manteve o caos imperando pelo Estúdio Mirage Eventos, entretanto, sempre com muita habilidade dos músicos, tanto que destaco os solos dos guitarristas Diego Chuck e Eduardo Quartel, aliás, devo também enaltecer o baterista Rogéu Fregoni, que durante todo o show espancou seu kit com muita precisão.

    Só dizendo o nome da música para aproveitar cada segundo de seu tempo no palco, Cristiano Mortho e seus companheiros de Mortal Profecia vieram para cima com a matadora Human Deterioration. Em uma rápida intervenção dizendo da honra que foi abrir para o Left To Die e também agradecendo ao Edson pela chance de mostrar o seu Death Metal, o vocalista junto ao Mortal Profecia executou instantes depois de falar conosco a insana Cannibal Nation.

    O Sodom foi lembrado no show do Mortal Profecia com a versão deles para a acelerada Sodomy and Lust, uma das mais dilacerantes composições dos alemães, que foi gravada para o álbum Persecution Mania de 1987. E por ser mais conhecida, Sodomy and Lust contou com vários "hey... hey... hey..." dos fãs. Deu tempo ainda para mais uma última música, que nos levou de volta ao From The Ashes com a cadenciada, urrada e violenta Your Last Day Your Last Day ( In Deathrow ).

    Foram 45 minutos de um show destroçador, em que os músicos agitaram quanto puderam contagiando assim quem não conhecia o Mortal Profecia e que, certamente, a partir de agora vai ouvir mais deste Death Metal voraz e furioso. Que bom que o Mortal Profecia está de volta com seu primeiro full lenght nas mãos e com este apetite de realizar shows assim como este em Limeira. Aguardaremos por mais...

Set List do Mortal Profecia

1 - From The Ashes
2 - Cancer
3 - Doctor Hangman
4 - Reign Of Violence
5 - Rotten Intestines On The Table
6 - Total Destruição
7 - The Torture House
8 - Human Deterioration
9 - Cannibal Nation
10 - Sodomy And Lust
11 - Your Last Day ( In Deathrow )

Lett To Die

Death Reborn and Lives Again

    Assim como os membros do Death To All, esta outra verdadeira constelação de grandes nomes do Death Metal Mundial que compõem o Left To Die vieram para a América Latina e para o Brasil para exaltar o legado do Death com a turnê Scream Bloody Leprosy Over Latin America, onde conforme seu título já dá a entender seria uma sequência de shows centrados com músicas escolhidas dos álbuns Scream Bloody Gore ( 1987 ) e Leprosy (1988 ), aliás, ambos são considerados como peças fundamentais da história do Metal Extremo.

    E o Left To Die escolheu estes dois álbuns para tocar nesta turnê também por dois motivos deveras importantes...
Primeiro: Rick Rozz ( guitarrista ) foi membro do Death entre 1983 a 1985 e entre 1987 a 1989 participando dos discos Death By Metal ( 1984 ), Reign Of Terror ( 1984 ), Infernal Terror ( 1985 ) e Leprosy ( 1988 ).
Segundo: Terry Butler ( baixista, que faz parte do Obituary desde 2010 ) esteve no Death entre 1987 a 1990 e gravou o Spiritual Healing de 1990.

    Ou seja, esta dupla esteve nas turnês realizadas na época em que os discos Scream Bloody Gore e Leprosy foram lançados, então, nada mais justo que realizarem uma sequencia de shows com o repertório extraído destes dois discos. Completando o line up estrelado do Left To Die tivemos o guitarrista e vocalista Matt Harvey ( Exhumed e Gruesome ) - que demonstrou uma presença de palco imensa e o baterista Gus Rios ( Gruesome ) - que 'demoliu' seu kit. Em suma, um belo tanto da 'nata' do Death Metal.

   Foram sete shows pelo Brasil, nesta estreia pelo país e também o 'debut' na cidade de Limeira, sendo que o quarteto foi ao palco às 21hs, pontualmente no horário programado com o som de fundo de E5150, canção do álbum Mob Rules do Black Sabbath, que remeteu à minha memória quando assisti ao Heaven And Hell no dia 15 de maio de 2009 no Credicard Hall em São Paulo/SP em um show que foi espetacular ( relembre aqui ).

    Saindo da máquina do tempo propositalmente feita pelo Left To Die vimos - e saudamos - Gus Rios ao se posicionar atrás de sua bateria, Terry Butler na esquerda, Rick Rozz na direita e Matt Harvey no centro do palco para começarem a aniquilação com a canção título do álbum Leprosy. E mesmo com a tamanha agressão que é o som contido em Leprosy, o Left To Die tocou este veloz e alucinado Death Metal com a exatidão necessária provocando as primeiras fortes rodas pela casa.

    É... o público não ocupou totalmente o Estúdio Mirage Eventos, mas, os deathbangers que estiveram lá mostraram que são barulhentos e inquietos, enquanto que o Left To Die nos brindava com riffleramas nervosíssimas que berramos vários "hey... hey... hey..." em resposta. A propósito, ao ver Rick Rozz solar sua guitarra com a tranquilidade que fazia isso... dava a impressão que era fácil... bem vá lá tentar e me fale... e isso entre os urros selvagens de Matt Harvey, que também solava sua guitarra exuberantemente.

 

    Olhando os extasiados e felizes fãs, eles disparam outra pedrada do Leprosy com a ligeira Born Dead, onde Matt Harvey vociferou com ainda mais cólera e estar diante das viradas que o Left To Die fez na música tal como Chuck Schuldiner ensinou é algo de um enorme prazer pessoal para cada um de nós. Matt Harvey com seu vozeirão apenas disse: "Limeira!!! Limeira!!!" e seguiram o ataque com a opressiva Forgotten Past nesta verdadeira avalanche inicial dedicada ao álbum Leprosy.

    Proferindo algumas palavras com os fãs, entre elas a saudação ao público e dizendo que estavam celebrando à memória de Chuck Schuldiner, Matt Harvey revelou a próxima berrando "Infernal.... Infernal..." para que nós completássemos "Deeaaathhh...", tanto que desta forma Infernal Death, a primeira do Scream Bloody Gore do set list provocou um terremoto no Estúdio Mirage Eventos ( disse nas linhas anteriores que o Mortal Profecia causou tremores, mas, o verdadeiro terremoto mesmo foi agora, pois, a roda que surgiu era das mais fodas... ), haja visto a rapidez inclusa em seu ritmo e a tonelada de urros emitidos pelo vocalista.

    Para Sacrificial do Scream Bloody Gore, logo após o vocalista enfatizar seu título, os fãs explodiram em "ôôôôôôôô" no andamento da música até que a fúria deste Death Metal urrado ao extremo tomasse conta da casa, só diminuindo nas modificações, que perfeitamente o quarteto efetuou levando à maioria a sacudir seus pescoços ( os demais estavam no meio da roda ) e quando seguraram os solos das guitarras para que nós participássemos com muitos "hey... hey... hey...", antes de outra saraivada de solos enraivecidos.

    A 'brincadeira' que sempre cai bem de dizer parte do título da música para que a plateia completasse foi muito usada por Matt Harvey e desta vez ele bradou: "Ooopeeen..." e nós "Caskeeet..." para que a Open Casket do Leprosy fosse exibida dominando toda a galera presente com seu andamento frenético, que nas paradas providenciais contou com "hey... hey... hey..." e urros repletos de ira nos versos berrados por Matt Harvey.

    A hecatombe sonora promovida pelo Left To Die continuou com a Primitive Ways, outra impetuosa composição do Leprosy, cujos guturais do vocalista e solos de guitarras nos deixou quase que entorpecidos pela tamanha intensidade deste Death Metal.

    Com a galera gritando "Choke... Choke..." quase que sem parar deixando claro que estavam consideravelmente contentes com o show, Matt Harvey disparou justamente essa canção do Leprosy, sinal que o público estava ligado no set list devastador que o quarteto escolheu para esta turnê, e óbvio, que a reação a Choke On It foi de abrir outra roda daquelas e socar o ar, todavia, quando chegou o momento dos "hey... hey... hey..." fizemos sincronizados com os toques da banda e seguimos os "ôôôôôôôôôô" nos solos de guitarras.

    Torn To Pieces do Scream Bloody Gore foi anunciada pelo vocalista e então seu andamento fulminante atingiu cada um dos presentes no Estúdio Mirage Eventos, que só puderam socar o ar ou abrir outra roda. É... os deathbangers em geral tinham mais de 30 ou 40 anos... mas, a sua vitalidade nas rodas era de garotos de 18. E como a energia de todos estava em altíssima potência, o Left To Die aproveitou essa fonte quase inesgotável vinda da plateia e tocou a exterminadora Regurgitated Guts, outra avassaladora criação do álbum Scream Bloody Gore.

 

     Quase no final da primeira parte do show, entre gritos divididos entre o vocalista e os fãs, foi a hora da composição do Leprosy que empresta o seu título para a banda... é... eles golpearam todos nós justamente com a Left To Die em uma execução simplesmente brilhante, cujos riffs de Rick Rozz concederam um brilho extra à esta versão.

    Os deathbangers gritaram "Left To Die... Left To Die..." repetidamente e só pararam quando Matt Harvey disse que tocariam a explosiva Zombie Ritual, indiscutivelmente uma das mais aguardas da noite, que também é pertencente ao Scream Bloody Gore e que foi o ponto alto do show, tanto que cada vez que Matt Harvey gritava "Zooombieee...." nós completávamos com todo o vigor "Rituaaal". Enfim, esta música garantiu de vez o prazer de estar neste show.

    Eles saíram do palco e nós novamente gritamos "Left To Die... Left To Die..." e não demoraram para voltarem e despejarem mais duas músicas do Death e tal qual o objetivo da turnê... tivemos uma do Leprosy com a massacrante Pull The Plug e a outra do Scream Bloody Gore com a encorpada e acelerada Evil Dead, que veio para trucidar com tudo.

    Ficamos pedindo "one more... one more... one more...", mas, depois de praticamente uma hora e quinze minutos, os quatro músicos que compõem o Left To Die encerraram esta brilhante apresentação que glorificou a importância do Death em outro show destroçador, que certamente deixou saudades no presentes.

    Óbvio que Matt Harvey, Rick Rozz, Terry Butler e Gus Rios não iriam embora sem jogarem as palhetas e baquetas e receberem em troca toda a eletricidade dos fãs nestes momentos breves desta interação final, que tanto os quatro quanto nós todos sabemos que este foi um show que está guardado nas memórias de todos os deathbangers que presenciaram outra noite histórica do Metal Extremo em Limeira em mais outro evento muito bem organizado pela Circle Of Infinity Produções.

    Agora se você caro leitor(a) perdeu... e é fã incondicional do Death... só te digo uma coisa: cruze os dedos e torça para que este quarteto retorne para Limeira com esta depredação sonora chamada Left To Die.

Texto e Fotos: Fernando R. R. Júnior
Agradecimentos à equipe da Circle Of Infinity Produções
pela oportunidade, atenção e credenciamento
Fevereiro/2025

Set List do Left To Die

1 - Leprosy
2 - Born Dead
3 - Forgotten Past
4 - Infernal Death
5 - Sacrificial
6 - Open Casket
7 - Primitive Ways
8 - Choke On It
9 - Torn To Pieces
10 - Regurgitated Guts
11 - Left To Die
12 - Zombie Ritual

Bis
13 - Pull The Plug
14 - Evil Dead

Galeria de 125 fotos dos shows do Left To Die e do Mortal Profecia
no Estúdio Mirage Eventos em Limeira/SP

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