Rotting Christ Setlist - Pro Xristou Over Brazil 2025 Tour
Abertura: Miasthenia

Sábado, 08 de fevereiro de 2025
Carioca Club - São Paulo/SP

    No sábado 8 de fevereiro, o Carioca Club, em São Paulo/SP, foi palco de uma noite intensa e atmosférica. Os gregos do Rotting Christ eram os grandes nomes da noite, mas, quem abriu o evento com maestria foi o Miasthenia, banda brasileira de Pagan Black Metal, que subiu ao palco pontualmente às 18h.

    Vale dizer, que os gregos do Rotting Christ realizaram a sua maior turnê por 10 cidades diferentes de todo o país, basicamente de norte a sul, pois, passaram por Rio de Janeiro/RJ, Vitória/ES, Limeira/SP, Curitiba/PR, Goiânia/GO, Recife/PE, Fortaleza/CE, Belém/PA, Manaus/AM e esta data na capital paulista, que foi apenas o terceiro show deste longo giro.

    Se o objetivo era de colocar um considerável número de fãs brasileiros nos palcos para que estes presenciassem de perto toda a sonoridade de seu Black Metal, saibam caros leitores(as) do Rock On Stge que eles conseguiram. Desta forma, conto como foi esta noite de Metal Extremo no Carioca Club começando com a banda de abertura Miasthenia.

Miasthenia

    Formada em 1994, em Brasília/DF, o Miasthenia construiu uma identidade única dentro do Metal Extremo nacional. Suas letras mergulham na história e cultura dos povos indígenas e pré-colombianos da América do Sul, explorando mitologia, rituais e resistência. A banda é liderada por Hécate, que é responsável pelas composições e pelo direcionamento conceitual do grupo. O som do Miasthenia combina a brutalidade do Black Metal com passagens épicas e melodias marcantes, criando uma atmosfera densa e imersiva.

    A formação da banda conta com a citada Hécate no vocal e teclado, Thormianak na guitarra, Aletea no baixo e Lilith na bateria. No entanto, para este show, Lilith não pode se apresentar e a responsabilidade das baquetas ficou com o baterista substituto Riti. A apresentação começou com Evocação, canção do álbum Espíritos Ruprestes de 2024 transportando o público para uma viagem mística. Com letras que exaltam o lado ritualístico e espiritual, a música cria uma introdução hipnótica e envolvente, preparando a plateia para o que viria a seguir.

    Sem pausas, o show seguiu com Bruxa Xamã com uma pegada mais intensa, a música retrata a bruxa indígena como um símbolo de resistência e conexão com a natureza. Antes de iniciar a música, Hécate compartilhou com o público a história por trás dessa figura e questionou quantos ali já conheciam essa narrativa, que tornou o momento ainda mais interativo.

    Na sequência, o Miasthenia apresentou Espíritos Rupestres, também do mesmo álbum de 2017. A música aprofundou ainda mais a temática ancestral da banda, com um instrumental denso e sombrio, porém, carregado de atmosferas que remetem a tempos imemoriais. Já na reta final do set, foi a vez de Tapuia Marcha. A composição trouxe uma energia marcante, mesclando peso e melodia, características que fazem do Miasthenia uma banda singular na cena.

    Após essa música, o guitarrista Thormianak agradeceu à produção do evento e ao convite para abrir o show do Rotting Christ. Eles também relembraram a última vez que estiveram no Carioca Club, que foi durante o Setembro Negro de 2023 destacando a conexão especial com o público paulistano.

    Para encerrar o show com chave de ouro, a banda anunciou Transmutação, que assim como as demais, foram todas escolhidas do último de estúdio, o Espíritos Ruprestes. A música finalizou a apresentação com uma pegada forte e climática unindo elementos do Metal Extremo a melodias distintas. Antes de saírem do palco, eles agradeceram o publico ali presente e chamaram o Rotting Christ até que, logo em seguida, as cortinas se fecharam dando um ar de mistério.

Set List do Miasthenia
1 - Evocação
2 - Bruxa Xamã
3 - Espíritos Rupestres
4 - Tapuia Marcha
5 - Transmutação

Rotting Christ

    Finalmente, o momento mais esperado da noite chegou! Depois da apresentação intensa do Miasthenia no Carioca Club, o Rotting Christ subiu ao palco por volta das 19h30. Considerados uma das bandas mais icônicas do Metal Extremo, o Rotting Christ foi pioneiro no Black Metal grego, sendo um dos primeiros nomes a emergir da cena Underground do país. A banda foi formada em 1987, em Atenas, pelos irmãos Sakis Tolis ( vocal e guitarra ) e Themis Tolis ( bateria ), e hoje conta também com Kostas Heliotis no baixo e Kostis Foukarakis na guitarra.

    Este ano, a banda celebra seus 35 anos de carreira com o lançamento do álbum ao vivo Live in Evil Existence, um registro poderoso que reafirma sua trajetória no Metal Extremo. Pelo segundo ano consecutivo, a banda retorna ao Brasil, e também em São Paulo/SP, para cravar mais uma apresentação memorável. A última passagem foi em 2024, quando trouxeram a turnê de lançamento do álbum Pro Xristou.

    Conforme o tempo passava, o público, inicialmente modesto, foi se multiplicando aos poucos. O som dos primeiros ajustes no palco ecoavam pelo ambiente, aumentando ainda mais a expectativa dos fãs, que aguardavam ansiosos pelo início do espetáculo. O Rotting Christ retornou ao Brasil para mais uma apresentação irrepreensível com um setlist poderoso, que mesclou clássicos e canções mais recentes, que levaram o público ao delírio no Carioca Club.

    Desde os primeiros segundos, a banda mostrou a que veio. O show começou com Aealo, canção título do álbum de 2010, que trouxe toda a energia e grandiosidade de sua sonoridade épica. A introdução tribal e os riffs cortantes incendiaram o público, que respondeu de imediato, imerso na atmosfera de batalha evocada pela música. Em seguida, o grupo seguiu com Pretty World, Pretty Dies, do álbum Pro Xristou de 2024 adicionando assim uma pegada sombria e envolvente ao início do show.

    A intensidade cresceu ainda mais com Demonon Vrosis, que manteve o clima ritualístico e hipnótico do álbum Aealo, seguida pela poderosa Kata Ton Daimona Eaytoy, um hino carregado de misticismo, que concede o título do álbum de 2013. Like Father, Like Son, também de Pro Xristou, mostrou a capacidade da banda de mesclar peso e melodia, conquistando os fãs que acompanham essa fase mais recente.

    O momento litúrgico veio com Elthe Kyrie, do álbum Rituals de 2016, uma composição que, ao vivo, se transforma em uma experiência quase transcendental com os corais e percussão dando um tom de invocação solene ao show. Logo depois, levaram o público de volta à era do disco Triarchy Of The Lost Lovers de 1996 com a King Of a Stellar War, um dos momentos mais nostálgicos da noite. Antes de anunciar, Sakis Tolis mencionou que a música era uma das mais antigas da banda.

 

    Os clássicos absolutos vieram em sequência: primeiro com a The Sign Of Evil Existence do Thy Mighty Contract de 1993 em um momento em que Sakis Tolis chamou ao palco o baixista Beelzeebubth, da banda Mystifier, da Bahia, para uma participação especial tornando o show ainda mais inesquecível. Em seguida, o Rotting Christ executou a Non Serviam, composição icônica que dá nome à biografia da banda e é o título do álbum de 1994.

    Desde a segunda música, o vocalista Sakis Tolis incentivava a formação de rodas de bate-cabeça, repetindo em português "1, 2, 3, 4!", o que incendiou ainda mais a plateia. A cada momento do show, os pedidos para abrir rodas reverberavam pelo Carioca Club amplificando a energia avassaladora da apresentação.

    O setlist ainda trouxe uma versão de Societas Satanas, um cover da banda Thou Art Lord, que manteve a energia do show em alta. A parte final da apresentação continuou intensa, com In Yumen-Xibalba e Grandis Spiritus Diavolos, ambas as músicas do álbum Kata Ton Daimona Eaytoy, seguidas pela poderosa The Raven do álbum The Heretics de 2019. Neste momento, Sakis Tolis agradeceu aos presentes dizendo em português: "Obrigado Brasil, Obrigado São Paulo!"

    Após a execução de The Raven, a banda fez uma breve pausa e Sakis Tolis reapareceu fazendo um sinal de silêncio antes de perguntar ao público se gostariam de mais uma. A resposta foi um estrondoso "sim" e o show foi terminou de forma épica com Noctis Era do álbum Aealo levando os fãs à loucura e garantindo que todos saíssem do show completamente impactados.

    Com uma execução impecável, um setlist bem equilibrado entre os álbuns clássicos e os lançamentos mais recentes e uma performance intensa de todos os integrantes, o Rotting Christ reafirmou porque é uma das bandas mais respeitadas do Metal Extremo seja quando está aqui no Brasil ou no mundo.

 

Texto e fotos: Erika Beganskas
Agradecimentos à equipe da Estética Torta
pela oportunidade, atenção e credenciamento
Fevereiro/2025

Set List do Rotting Chirst

1 - Intro
2 - Aealo
3 - Pretty World, Pretty Dies
4 - Demonon Vrosis
5 - Kata Ton Daimona Eaytoy
6 - Like Father, Like Son
7 - Elthe Kyrie
8 - King Of a Stellar War
9 - The Sign Of Evil Existence
10 - Non Serviam
11 - Societas Satanas
12 - In Yumen-Xibalba
13 - Grandis Spiritus Diavolos
14 - The Raven
15 - Noctis Era

 

 

Galeria de 22 fotos dos shows do Rotting Christ e do Miasthenia
no Carioca Club em São Paulo/SP

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