Deep Purple - ... To The Rising Sun In Tokyo
 DVD - 18 Faixas - Shinigami Records - 2015/2016

    Na longa turnê de divulgação do excelente cd Now What ?!, os ingleses do Deep Purple lançaram dois álbuns com os seus respectivos DVD´s ( que assim como todos os vários registros da banda ao vivo se tornaram igualmente importantes e itens únicos para os colecionadores ), o primeiro foi o From The Setting Sun... In Wacken ( leia resenha do cd ) e o segundo é este, cujo título é ...To The Rising Sun In Tokyo, que complementa o conceito da obras... sendo o entardecer no Wacken Open Air e o despertar na terra do Sol Nascente.

    Nesta resenha vou me centralizar ao DVD, que foi registrado no tradicional Nippon Budokan em Tóquio no dia 12 de abril de 2014, que foi mixado e masterizado por Eike Freese e Alexandrer Dietz com a colaboração do 'sensei' Roger Glover no Chamaelon Studios em Hamburgo na Alemanha. A edição de vídeo foi realizada no Project Mayhem no Chemical Burn Studios em RadKosen. Além da capa, que mostra os integrantes em um vermelho do sol mais forte, o lançamento da Shinigami Records possui um excelente encarte com muitas fotos e informações que os fãs sempre adoram conferir. Mas, vamos aos detalhes do DVD nas linhas abaixo.

    Logo nas primeiras imagens já percebemos que cada lugar está ocupado e também que a captação de imagem será "Classe A", assim, após a introdução clássica, Apres Vouz traz a Now What ?! World Tour ao Japão e em poucos instantes vemos Ian Gillan nos vocais, Steve Morse na guitarra, Roger Glover no baixo, Don Airey nos teclados e Ian Paice na bateria encantando os presentes. Logo de cara, o atual gênio das seis cordas do Deep Purpe - Steve Morse - já impressiona com seus harmônicos únicos, que podemos conferir em sua atuação na guitarra. Para os fãs dos clássicos imortalizados na história pela banda, Into To The Fire é a seguinte com o 'Silver Voice' Ian Gillan provando com a idade avançada, ainda consegue gritar muito e de forma direta ( claro que menos que no aclamado Made In Japan da década de 70 quando era um garoto ).

    E mesmo com o passar dos anos, ao vivo o Deep Purple é energia pura, pois, ligam o excelente momento com a forte Hard Lovin' Man, onde é delicioso prestar atenção e ver o ritmo imposto pelo mestre Ian Paice em sua bateria, que deixa o pessoal caminhar, e isso, sem mencionar os improvisos de Steve Morse e Don Airey, sendo que 'um passa a bola para o outro' como os 'Jazzistas' fazem. No final, Ian Gillan ainda procura extrair algumas notas de sua voz para que Steve Morse o acompanhe na guitarra como outrora, porém, sabemos que seu alcance não é mais como antes.

    Somente então que o vocalista fala rapidamente com a plateia e instantes depois Vincent Price começou ecoar suas notas no Nippon Budokan e no show de imagens assistimos 'de perto' cada solo de Steve Morse, que assume o comando logo depois tocando a sensibilizante Contact Lost, com mais uma de suas Fender's ( a terceira que usou na noite ). E em sua performance, me pergunto... como ele não está na lista dos melhores guitarristas do ano? Entre várias técnicas vemos muito de "volume e delay" e a faixa se conecta a Uncommon Man aos aplausos dos japoneses, que ficam em silêncio, assim que Ian Gillan canta seus versos.

   O mago dos teclados do Deep Purple Mark VIII também brilha quando eles improvisam na parte instrumental, contudo, não temo como apontar quem te afeta mais. Espero que assista este ...To The Rising Sun In Tokyo sentando, pois, os "velhinhos" executam na sequencia a The Well-Dressed Guitar, uma canção instrumental fascinante em que Ian Gillan convoca as palmas da galera e se seu queixo ainda está no lugar... não se importe... em The Mule, com Ian Paice tocando sua bateria com a recisão cirúrgica e única que possui, pode ter certeza que ele vai cair... pois, se ouvir os 'licks' feitos por ele já te marcam, ver então... não dá... é fantástico... tanto que a vontade é de aplaudir como fizeram os japoneses. Com todas as luzes apagadas conseguimos ver ( ou tentamos ) a velocidade de seus toques, graças às baquetas iluminadas em neon. E a reação da plateia foi de aplaudir o músico de pé, enquanto que Ian Gillan avisa que a seguinte, a Above And Beyond é uma é dedicada ao mestre Jon Lord, cuja imagem aparece no painel atrás da banda traçando uma ligação entre os fãs e o ídolo.

    Com as câmeras direcionadas para Don Airey vemos este realizar um solo de teclados dos mais honrosos para introduzir a Lazy, outro clássico dos primórdios do Deep Purple e no instante em que Ian Paice dá seu primeiro toque em sua bateria, a luz é mirada sobre ele na nova sequencia de improvisos que contemplamos. Quem ainda não sabia... pode descobrir agora porque os shows do quinteto ainda levam tanta gente por onde passam e não posso esquecer de comentar também que ver Ian Gillan na gaita é simplesmente sensacional.

    A recente Hell To Pay segue o show com seu Rock contagiante onde Ian Gillan vai próximo de Steve Morse e Roger Glover, para que juntos eles possam cantar o título da canção em um momento muito bonito do show.

    Depois, o vocalista introduz Don Airey para que este faça os memoráveis solos de teclados, e ao vê-lo neste DVD não tem como não relembrar de outro rei das teclas: Keith Emerson, que nos deixou neste ano e de forma tão triste. Don Airey está no meio de quatro teclados, sabe nos emocionar e passear por melodias diversas e clássicas, que em sua 'central de comando' caminham até a Perfect Stragers com os demais de volta sendo iluminados por imponentes luzes amarelas e brancas, que serviram para contracenar com a banda. Aliás, esta volta foi responsável por uma vibração maior dos fãs japoneses e será que eles ficaram parados na execução desta música e da seguinte, a Space Truckin'? Não é preciso nem assistir ao DVD para responder... pois, quando as câmeras focam os fãs rapidamente, o que vemos são todos com suas mãos ao alto, mas, com a discrição natural da cultura oriental.

   Na sequencia, Steve Morse fica sozinho no palco por um momento e com uma abordagem inicial diferente, o hino Smoke On The Water levanta o Nippon Budokan de uma maneira toda especial, pois, a galera participa aplaudindo enquanto Ian Gillan canta seus conhecidíssimos versos. Já mencionei que é um delírio assistir Steve Morse solar sua guitarra, não é?

    No momento da tradicional pausa para o bis, Ian Gillan brada um "arigatô" e sai do palco, porém, o retorno é rápido e o Deep Purple executa o Blues Green Orion, onde podemos contemplar Roger Glover no baixo ligando a Hush, que revela uma nova rodada de notáveis solos individuais de cada um, porém, sempre com o ritmo da música sustentado pelos demais, e isso, sem comentar dos duelos, que brilhantemente vemos entre Don Airey e Steve Morse.

 

    Entretanto, faltava um solo ainda para marcar este ...To The Rising Sun In Tokyo: o do baixista Roger Glover, que ao se mexer e extrair suas notas opacas e pesadas garantem muitos "heys" do público e conduzem a Black Night para terminar o show, que conta ainda nos momentos finais com o frontman agradecendo a todos em um turbilhão de aplausos correspondidos com as palhetas e baquetas atiradas em quase duas horas de espetáculo.

    ...To The Rising Sun In Tokyo não possui extras, não possui legendas, fotos e entrevistas, e cá entre nós... nem precisa, pois, depois de assistir a impactante apresentação do Deep Purple no Nippon Budokan - com um set list diferente do show no Wacken Open Air - em uma turnê tão produtiva como esta é sempre um prazer, que eu também pude acompanhar em novembro de 2014 em São Paulo/SP, mas isso, já é outra história. Por hora, caro leitor(a) deleite-se com este item de colecionador.
Nota: 10,0.

Sites: http://www.deeppurple.com/http://www.deep-purple.com e https://www.facebook.com/officialdeeppurple/.

Por Fernando R. R. Júnior
Maio/2016

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