Iron Maiden - Maiden England'88
CD Duplo - 18 Faixas - EMI Music Brasil - 2013

       Em 2013, a auto-intitulada maior banda de Heavy Metal do mundo lançou o cd Maiden England'88 dentro de seu projeto de recontar os principais fatos e discos de sua história. Pouco depois, embarcou em uma turnê mundial relembrando os antigos sucessos de outrora, mas este álbum da "Donzera de Ferro" teve sua primeira versão em VHS ainda nos anos 80 e em disco em 1994, porém, não era um lançamento oficial da exigente banda.

    Desta forma, o show gravado no National Exibition Center em Birmigham nos dias 27 e 28 de novembro de 1988, com a produção e mixagem de Martin Birch foi remasterizado por Kevin "Caveman" Shirley e com três composições que não estavam naquela versão antiga. A nova capa foi desenhada por Hervé Monjeaud, devidamente inspirada na criação do 'desenhista oficial' do Iron Maiden, o Derek Riggs.

    Curiosamente esta foi o última tour do chamado "Iron Maiden Nota 10" com Bruce Dickinson nos vocais, Dave Murray e Adrian Smith nas guitarras, o chefe Steve Harris no baixo e Nicko McBrain na bateria e especificamente nos shows ao vivo, com Michael Kenney nos teclados, pois depois dela, Adrian Smith saiu da banda e muita coisa mudou. Neste período, a banda vivia uma fase criativa excelente e nos disponibilizaram todos aqueles clássicos que vibramos nos shows até hoje, que foram compostos entre 1980 e 1988, tudo bem que tivemos alguns outros grandes clássicos viram a luz nos anos posteriores, mas é inegável o poder de fogo e a energia que é liberada quando ouvimos essas músicas, ainda mais ao vivo como neste cd.

    Assim como no álbum Seventh Son Of A Seventh Son, Moonchild abre a bolachinha com seus dedilhados que após os versos iniciais, trazem a vibração sensacional do Heavy Metal do quinteto inglês, que esbanjava habilidade e empolgação, confirme notando a voz de Bruce Dickinson ou os toques pesados de Steve Harris no baixo. Depois um choro de criança, efeitos de chuva e uma plateia berrando "Maiden...Maiden..." temos The Evil That Men Do, outra do Seventh Son Of A Seventh Son em que as guitarras de Dave Murray e Adrian Smith balanceiam com muita melodia o ritmo frenético do baixo de Steve Harris, e falando em ritmo, este conquista os fãs graças ao carisma de Bruce Dickinson ao deixar eles cantarem com ele.

    Em seguida, recuam ao álbum The Number Of The Beast para executarem simplesmente The Prisonner, que é uma das melhores músicas deste clássico álbum e óbvio, que mantém o pique do show ( e do cd ) em alta. E uma surpresa, a viajante Still Life, composição do Piece Of Mind, que elucida os teclados e os repiques na bateria de Nicko McBrain até se tornar aquele Heavy Metal envolvente. Die With Your Boots On manteve a garra e a eletricidade dos riffs de guitarras de Dave Murray e Adrian Smith, além dos excelentes vocais de Bruce Dickinson, e enfim, não tem como não agitar ouvindo este álbum.

    De volta ao Seventh Son Of A Seventh Son com a melodiosa Infinite Dreams, o quinteto mostrou que encontrava-se extremamente afiado, pois, dispararam uma execução até melhor que no estúdio, tanto que quero que você sinta, em meio aos longos riffs de guitarras, a atuação esplendida de Steve Harris. Seguindo o show temos a destruidora versão de Killers, que intitula o álbum de 1981 e aqui confirmou porque Bruce Dickinson é a voz do Iron Maiden, podem falar o que quiserem.

    Retornando ao Seventh Son Of A Seventh Son, disco que foi a base da tour que motivou deste registro, eles nos enviaram a Can I Play With Madness?, cujo andamento intenso te faz sair cantando com a banda, aliás, considero ela uma das que melhores soam ao vivo. E com o vocalista realizando a introdução com a perfeição que realiza sempre, temos Heaven Can Wait do Somewhere In Time, e aí tome solos de guitarras de primeira e também aquela detonadora atuação de Steve Harris em seu baixo. E nesta específica, é uma delícia quando chega o trecho do "ôôôôô...ôôôô" para que possamos cantar com eles nos shows ( ou até em casa ouvindo o álbum ). Com a plateia de 25.000 pessoas gritando o nome da banda, para terminar o primeiro cd temos outra deste disco de 1986, a Wasted Years, dona de um dos mais emocionantes solos de guitarras da "donzela" e na minha opinião, da história do Heavy Metal.

    O segundo cd começa com a - então nova - The Clairvoyant, outra que entra na cabeça, não sai nunca mais e que sempre deverá estar presente nas listas de melhores criações do Iron Maiden. Nesta versão em Birmigham é impressionante a força que Steve Harris aplica no baixo durante seus solos melódicos e também a determinação que Bruce Dickinson canta os versos.

    E chegamos ao grande tesouro deste álbum, a versão ao vivo de Seventh Son Of A Seventh Son, a épica música título do álbum de 1988, que enaltece as linhas progressivas da banda, e ao vivo, a banda se superou pelo feeling que demonstrou a cada um dos seus minutos. Como é gostoso ouvir os teclados de Michael Kenney entre os repiques feitos por Nicko McBrain, que se desenvolvem brilhantemente e chegam naquele final pesado que influenciou muitas e muitas bandas.

    Sem parar, ouvimos aquela introdução falada por Barry Clayton ( é meus amigos e amigas, esta voz não era de Bruce Dickinson ), que todo mundo que curte Heavy Metal tem obrigação de saber e então os ingleses disparam a sensacional The Number Of The Beast, cujo vigor te causa aquela vontade de agitar imediatamente, e para os fãs mais antigos, cantar cada verso.

    E o set list que o Iron Maiden realizou nesta tour era para ninguém colocar defeito, pois, seguiram com Hallowed Be Thy Name, também do The Number Of The Beast, que foi acompanhada nas palmas dos fãs até explodir naqueles históricos e implacáveis riffs de guitarras vocalizados a plenos pulmões pelo "Air Raid Siren" Bruce Dickinson, não tem como ouvir um som assim e não se empolgar quando ele grita o famoso "Scream For Me Birmigham....". Encerrando a primeira parte do show temos a imprescindível Iron Maiden, com aqueles dilacerantes solos de guitarras e aquele dinamismo que a cravaram na história e óbvio, com mais "Scream For Me Birmigham..." ditos pelo vocalista.

 

    Para terminar o Maiden England'88 recebemos três músicas que não estiveram nas versões anteriores, e de certa forma, são a surpresa deste lançamento da EMI Music Brasil, a primeira é a cativante Run To The Hills ( do The Number Of The Beast ) com todo seu clima de 'festa', em seguida a Running Free ( do primeiro disco ), que sempre que é tocada causa aquela vibração imensa, fato que não foi diferente neste show, ainda mais com o showman Bruce Dickinson comandando os fãs em seus prolongamentos. E a última é Sanctuary, com altas dosagens de adrenalina que não te deixam parado. 

    Temos aqui um registro importante não só para os fãs do Iron Maiden, mas também para todos que querem saber porque eles foram e são um dos maiores ícones do Heavy Metal. Que bom que o Maiden England'88 não ficou apenas nos formatos de cd e DVD ( aliás, falando no DVD, confira sua resenha ), pois além poder ouvir o cd várias vezes, com a atual tour da banda, podemos (re)ver o Iron Maiden reeditando ao vivo uma das suas maiores e melhores turnês. Indispensável para os fãs mais novos e aos veteranos!!!
Nota: 10,0.

Sites: www.ironmaiden.com, www.facebook.com/ironmaiden e www.emi.com.br.

Por Fernando R. R. Júnior
Junho/2014

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