Marillion - Marbles In The Park
 CD Duplo - 18 Faixas - Shinigami Records - 2017

    Com 35 anos de carreira, mais de 15 milhões de álbuns vendidos no mundo ( dentre eles, o recente F.E.A.R. - Fuck Everyone And Run - leia resenha ), os ingleses do Marillion, que se mantém deveras ativos e desde 2002 realizam o concorrido evento Marillion Weekend, que em um final de semana específico do ano, os seminais Steve "H" Hogarth ( vocais, guitarra, teclados e percussão ), Steve "R" Rothery ( guitarra ), Ian Mosley ( bateria ), Mark Kelly ( piano e teclados ) e Pete Trewavas ( baixo e backing vocals ) recebem seus fieis seguidores para três noites de shows, que são apontados como inesquecíveis tanto para os fãs quanto para a banda.

    Costumeiramente nestas três dias de evento, o Marillion realiza três shows diferentes e com set lists diferentes, executam álbuns na integra, atendem aos pedidos dos fãs e incluem músicas raras, ou seja, tornam o evento, que já é temático uma experiência única para quem participa e realmente especial, que anualmente leva fãs de todos os países do mundo. Em 2015, da sexta-feira dia 20 de março até o domingo dia 22 de março, o Marillion Weekend foi realizado no Center Pacs em Port Zélande na Holanda e o show escolhido para abrilhantar este álbum duplo lançado no Brasil pela Shinigami Records foi o do sábado dia 21 de março, onde o quinteto apresentou o bem sucedido disco Marbles! ( de 2004 ) em um show que contou com projeções e efeitos visuais impactantes ( tais como laser, luzes e projeções no telão como podemos comprovar ao observar as fotos de seu encarte de muitas páginas ).

    O título do cd ( e do DVD ) é Marbles In The Park e sua gravação e mixagem são assinadas por Michael Hunter, enquanto que sua capa e desenhos dos encartes são de Simon Ward da Identifiy Media, que assim como suas fotos passam um pouco das emoções, que estes sortudos fãs tiveram no show e que eu vou procurar traduzir nas linhas seguintes ao comentar de suas músicas.

    A empolgada plateia presente nesta edição do Marillion Weekend ganha para começar o espetáculo a viagem contida na 'Floydiana' The Invisible Man, que climatiza e traz o quinteto para o palco para a sua execução, onde notamos os vocais roucos de Steve "H" Hogarth em meio a imersões de teclados e demais instrumentos em linhas fabulosas, que se ligam a momentos introspectivos e saborosos de se ouvir nesta longa suíte, que beiram a perfeição. Depois, percebemos que The Invisible Man torna-se mais pesada após 14 minutos e encerra-se tão bela quanto começou com destaque aos solos de Steve "R" Rothery na guitarra. Efusivamente aplaudidos, o vocalista dispara um breve "Hellooo" e anuncia a tranquila Marbles I, cujo ritmo leve e distante é totalmente adequado para se fechar os olhos e se imaginar em outro lugar através das dimensões instrumentais propostas pelo Marillion, que resultam em Genie em um estilo devidamente cativante, intimista e que eleva-se em um crescente positivo bastante grande, que naturalmente gera muitos aplausos dos fãs.

    Para Fantastic Place, Steve "H" Hogarth canta ante a suaves toques de teclados feitos por Mark Kelly a linda melodia desta composição, que enfatiza a ideia de uma abstração e que é executada com primor por cada um deles. Em The Only Unforgivable Thing sentimos uma aura praticamente religiosa atingir a canção, que é conduzida por uma linhagem belíssima, caminha por habilidosas notas introspectivas vocalizadas com personalidade  por Steve "H" Hogarth e que é possuidora de uma harmonia instrumental muito emocionante. Na sequencia, Marbles II, onde a serenidade reina sendo que imagino aqui suas projeções visuais e o efeito hipnotizador que deve ter sido causado no show, que continua com Oceans Cloud em um momento em que Steve "H" Hogarth nos leva a mergulhar com ele em cada verso que é cantado em seu andamento mais lento ao barulho de ondas e solos altamente progressivos, que são oriundos da guitarra de Steve "R" Rothery lindamente combinados aos teclados de Mark Kelly. Isso se conecta a viagens imensas em meio a falas e chegam até seus momentos mais encorpados, que voltam a se acalmarem nesta única, singular e longa Oceans Cloud com seus excelentes 17 minutos.

    A alegria dos fãs pode ser medida pela quantidade de aplausos que ouvimos e isso foi evidenciado antes dos toques mais melancólicos da curta Marbles III, que nos exibe uma distante canção e que se conecta em The Damage com suas animadas melodias que finalizam este primeiro cd de Marbles In The Park com inigualável brilho.

    Aos dedilhados e com uma harmonia empolgante, Don't Hurt Yourself abre o segundo cd e é acompanhada pelas palmas dos presentes, que certamente deviam estar com um sorriso imenso em seus rostos ao verem Steve "H" Hogarth cantar seus versos de forma contagiante em mais uma atuação gratificante dos demais. Mais palmas para a percussão de You're Gone, que tornou-se um grande hit do Marillion com vocalizações e ritmo fascinantes, sempre com a exibição de gala do quinteto. Rapidamente, o vocalista anuncia a seguinte, que é a introspectiva Angelina, onde ele canta com uma considerável emoção e conta com discretos e crescentes solos de guitarra, que aumentam a viagem a que somos convidados a sentir pelos ingleses.

    Drilling Holes é precedida de uma fala do vocalista, que conclui seu discurso ao dizer que o show está sendo gravado e ao ter suas notas tocadas, a canção expressa uma certa força e um ritmo, ora suave... ora mais viajante, graças a incomparável qualidade do Marillion. E o show prossegue com Marbles IV com sua atmosfera tranquila e gostosa de se ouvir, que é curta e nos conduz para Neverland, que também é outra memorável faixa deste Marbles In The Park, que indiscutivelmente garantiu a satisfação do público por conta de sua reluzente exibição, fato que comprovo a cada vez que ouço o cd. Aliás, os seus trechos viajantes são interdimensionais para acalorar os corações dos fãs de Rock Progressivo com tamanha beleza e perfeição, que encerram a primeira parte do show e levam a um turbilhão de aplausos. No bis, o Marillion apresenta Out Of This World ( do Afraid Of Sunlight de 1995 ), sempre com o seu formato viajante com uma soberba atuação de vocais e com linhas instrumentais, como por exemplo, nos longos solos de teclados e guitarra combinados produzindo uma canção espacial.

    Após algumas falas ecoando pelas caixas de som, Steve "H" Hogarth chamas os holofotes para si ao cantar em meio a dedilhados os versos de King ( outra do Afraid Of Sunlight de 1995 ), onde o Marillion faz uma verdadeira alquimia com as poderosas viagens instrumentais com excelência através de toques por vezes mais pesados, inclusive, isto é notado também nos momentos mais introspectivos, que chamam as palmas dos fãs em uma música que suspende-se brilhantemente me fazendo exclamar: Uauuu!!!

     No término deste formidável Marbles In The Park temos a Sounds That Can't Be Made ( título do cd de 2012 ) percorrendo as novas viagens desta última suíte de 12 minutos de consideráveis e ímpares sutilizas, que somente mestres com o gabarito dos membros do Marillion são possuidores do poder de desempenhá-las. Quando música acaba, a eletricidade dos fãs foi tamanha neste Marillion Weekend, seja nas palmas ou nos "ôôôôôôôô", que em troca eles receberam um prolongamento extra glorificando ainda mais este show.

    São mais de duas horas de um show de uma das melhores bandas de Rock Progressivo mundial em uma de suas impressionantes apresentações, onde sabemos que o Marillion se entrega de corpo e alma à música e além disso, ouvindo o cd, é provocada a vontade de ver o DVD do show e estar presente ao menos em uma das Marillion Weekend.
Nota: 10,0.

Sites: http://www.marillion.com/, https://www.facebook.com/MarillionOfficial/
 e http://www.youtube.com/marilliononline.

Por Fernando R. R. Júnior
Agosto/2017

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