Extreme Hate Festival - 4ª Edição
Com: Watain, Belphegor, Suffocation,
Cryptopsy
e Chaos Synopsis
Domingo, 07 de Dezembro de 2014
 no Tropical Dance Club em São Paulo/SP

 

    Chegamos na frente da Tropical Dance Club às 14h, com um sol de rachar, acertando em cheio nossas cabeças, mas ainda tivemos que esperar três até a abertura da casa, nesse tempo a fila aumenta cheias de expectativas e medo do show acabar depois do horário marcado e terminar depois que o metrô fechar e não conseguir chegar em casa.

    Mas tinha a certeza que o último festival do ano seria matador ao juntar nomes como os brasileiros do Chaos Synopsis, os canadenses do Cryptopsy, os americanos do Suffocation, os belgas do Belphegor e os suecos do Watain. Vários estilos do Metal Extremo reunidos para atender a sede de várias almas profanas que estiveram presentes.

Chaos Synopsis

    Por problemas técnicos só consegui entrar na casa às 17h20 e o show do Chaos Synopsis já tinha começado há um tempo ( que eles tocaram as canções "Son Of Light", "Zodiac" e "Sarcastic Devotion" e conforme apurei ao conversar aqui e ali eles enfrentaram problemas com a aparelhagem ). A banda atualmente composta por Jairo no baixo e vocal, Marloni Santos e JP nas guitarras e Friggi Mad Beats na bateria tem quase 10 anos e vem lá de São José dos Campos/SP, sempre trabalhando muito, já contam com dois cd´s lançados e um futuro para o primeiro semestre de 2015.

    Vi que o Metal Nacional sempre cativa muitos, um pessoal que não conhecia curtiu muito e foram comprar os cd´s dos caras, o Tropical Dance Club é amplo e tem várias mesinhas para se apoiar perto das paredes, banheiros legais e só essa luz que deixa tudo vermelho que é irritante, mas o palco tem um tamanho e som legais.

     Estou no meio de uma música que não consigo identificar, mas que posteriormente vir a saber que era a B.T.K. ( Blind, Torture, Kill ) e apesar de não ter muitas pessoas aqui dentro ainda, um pessoal mais pela frente do palco, faz uma pequena roda entre amigos, mas a maioria das pessoas está mais para trás, caçando os ventiladores da parede, pois mesmo aqui dentro está um calor do cão.

    O guitarrista JP vem para a frente do palco e durante o solo faz o pescocinho do Fat Family, o vocalista Jairo pede 'horns up' e o pessoal responde com os punhos estendidos e finalizam a música, sempre muitas palmas e depois este pronuncia: "Aew galera é um prazer estar tocando aqui, e temos cd e camisetas essa é a última: Spiritual Cancer" do Kvlt ov Dementia de 2009, e os riffs dessa música, fazem muitas cabeças balançarem, é muito 'foda', os músicos carismáticos andam bastante pelo palco, além de banguearem sem parar, por aqui a roda não para... Não para não... Não para! Um rapaz até sai para pegar uma cerveja que está no balde com os amigos e depois volta para a roda novamente.

    Jairo comemora: "Rock in Roll!!!" E o pessoal se empolga - "valeu são Paulo isso aqui é Metal do Brasil", JP leva a sua guitarra e pega o pedestal mais próximo, balança ele, a galera e o pedestal! Todos os músicos se juntam para nos cumprimentar e pedem para nos juntarmos e tiram uma foto conosco, saem do palco às 17h40. Andando por ai, só encontro o 'Merchan' do Watain, Belphegor, Chaos Synopsis, além de cd´s e vinis variados.

Set List Chaos Synopsys

1 - Son Of Light
2 - Zodiac
3 - Sarcastic Devotion
4 - B.T.K. (Bind, Torture, Kill)
5 - Spiritual Cancer

Cryptopsy

    Às 18h entra uma intro e são abertas as cortinas, com os músicos Olivier Pinard no baixo, Flo Mounier na bateria e vocais, Chris Donaldson na guitarra e Matt McGachy nos vocais, que formam o Cryptopsy de costas para nós, essa é uma banda Technical Death Metal formada em 1988, antes com o nome de Necrosis e em 1992 oficialmente se tornam Cryptopsy, direto do Canadá, com muita história para contar, troca de membros, de nome e muito material lançado, chegam com a Crown Of Horns do segundo álbum dos caras, o None So Vile de 1996, enquanto são ovacionados pela galera, os músicos ficam todos sorridentes.

    O belo vocalista Matt McGachy nos pergunta: "How are you today? É um prazer tocar aqui pela primeira vez, nós somos o Cryptopsy e Its Is Emaciate!" ( do cd Whisper Supremacy de 1998 ) essa música me faz entender o significado do termo Technical Death Metal! Tem tudo nela, viradas, riffs rápidos e complicados, é perfeita, uma pena o som sair um pouco embolado de onde estou, todos músicos 'bangueam' muito, como se nem estivessem tocando. O calor aqui em baixo é grande, sem adornos no palco, só puro caos sonoro, o baixista Olivier Pinard canta junto com os fãs, que em sua maioria ficam com os punhos para cima ou na roda.

    Na Mutant Christ do Blasphemy Made Flesh de 1994 é exibido todo o poder da bateria de Flo Mounier e toda a técnica e jabs de Oliver Pinard. O vocalista Matt McGachy quer roda e a galera obedece e faz uma roda grande lá pelo meio do palco. Para todo lado que eu olho tem gente suada, é difícil entender o que Matt McGachy berra, pois seu estilo é bem mais gritado e urrado de cantar. Matt McGachy agradece e os músicos ficam de costas por um momento, mas ele rompe a seriedade do momento jogando água no pessoal da pista.

    Dentro da casa devem ter menos de 50 pessoas ainda, mesmo assim, eles seguem o show com a agressiva Two-Pound Torch ( do último cd Cryptopsy de 2012 ), que faz a galera agitar e banguear muito, Matt McGachy não para quieto um minuto, além de pedir aquele 'circle pit' super saudável para as pessoas que estão com seus bloquinhos de anotação por perto, as coisas estão tão divertidas na pista, que tem gente que para de assistir a banda para ver o circo pegar fogo na roda. Quando acontece a pausa dos músicos gritamos sempre "Cryptopsy, Cryptopsy".

    Matt McGachy nos conta que eles são independentes, não tem uma 'label' ( gravadora ) para fazer as músicas, agradece quem veio, quem está curtindo as músicas e avisa que vão mandar mais duas Old School para nós: "Essa é a White Worms", composição do cd Whisper Supremacy que é simplesmente brutal, nessa me esquece, largo o bloco a caneta e só não me jogo na roda... Porque se eu for, vai saber se eu volto! O guitarrista Chris Donaldson é só caras e bocas enquanto esmerilha seu instrumento, muitos no hey no meio da música, enquanto Matt McGachy grita: 'Let me see your fucking hands!'.

     E quando acaba Matt McGachy finaliza: "Essa é a última música e eu quero ver o maior circle pit dessa noite!" E em resposta, todos agitam, ninguém fica parado para os brilhantes riffs de Graves Of The Fathers ( do None So Vile ). Do meu lado, alguns não param de gritar, tem uma pequena intro calma com os músicos de costas para nós.

    Logo, Flo Mounier começa a arregaçar a batera e o caos reina na Tropical Dance Club e aproveito para dar uma chegadinha para o lado para deixar a roda passar, temos algumas pessoas maravilhadas com o som, mulheres encantadas com os músicos, enquanto o segurança da casa faz a maior cara de 'WTF' tentando entender o que se passa no palco. Matt McGachy vem até a ponta do palco e pede para banguearmos com ele, ainda urra para o camarote e pede 'horns up' para todo mundo.

    Com um "Obrigado São Paulo thank you!" eles terminaram o show e sem mais começam a recolher os seus equipamentos e fechar as cortinas. O show acabou às 18h45, mas teve um set curto e matador, aguçou os fãs e angariou novos seguidores e eu me incluo entre eles. Cryptopsy Rules!!!!

Setlist do Cryptopsy

1 - Crown Of Horns
2 - Emaciate
3 - Mutant Christ
4 - Two-Pound Torch
5 - White Worms
6 - Graves Of The Fathers

Suffocation

     Nesse intervalo descubro que o vocalista Frank Mullen não vem e quem assumirá os vocais do Suffocation essa noite é Ricky Myers, que é baterista da banda de Death Metal Disgorge, alguns músicos das duas bandas se juntam ou para fazer álbuns ou tocar ao vivo quando o outro não pode, como acontece hoje, já que Frank Mullen só consegue sair em turnê quando está de férias do seu emprego em Nova York. Ao lado de Ricky Myers estão Guy Marchais e Terrance Hobbs nas guitarras, Derek Boyer no baixo e Kevin Talley na bateria.

    Às 19h15 eles começam sem dó com a Thrones Of Blood ( do álbum Pierced From Within de 1995 ), um pouco lenta e com muito Groove para os padrões do Suffocation, mas ainda sim, é da hora! Muitas câmeras são apontadas para os músicos.

    Rick Myers diz: "Obrigado!", que resultam em muitas palmas e gritos de 'Suffocation!' e então ele continua: "Como vocês estão esta noite?" O microfone fica falhando um pouco, enquanto ele fala e avisa que Catatonia - do EP Human Waste de 1991 - é a próxima e todas as cabeças da casa estão 'bangueando' junto com os músicos, sentindo os riffs de guitarra de Guy Marchais e Terrance Hobbs, junto com o trabalho de baixo de Derek Boyer, que são lindos, os músicos ficam mais parados no palco, mas 'bangueam' demais, muitas palmas novamente ao fim e dá-lhe pedidos de música, além de gritos de "Suffocation, Suffocation!".

    Animado Kevin Talley se levanta da bateria e grita algo que não consigo ouvir, enquanto e Terrance Hobbs faz sinal para gritamos mais alto, até que alguém mais empolgado consegue se destacar com um "Suffocation I love you!". Em resposta, eles mandam uma dobradinha para matar os mais fãs do coração com a matadora As Grace Descends ( do álbum Pinnacle Of Bedlam lançado em 2013 ) e depois a simplesmente brutal Effigy Of The Forgotten do aclamado Effigy Of The Forgotten de 1991, esse álbum redefiniu alguns parâmetros do Death Metal da época. Neste momento se forma uma roda bem grande e eu já estou bem longe dela, enquanto que muitos cantam as músicas a plenos pulmões e os músicos sorriem bastante para nós.

     Durante essa pausa Ricky Myers tenta falar, mas o microfone falha novamente e sem se importar chama a pesada Abomination Reborn do álbum Suffocation lançado em 2006, essa música tem um clipe bem legal e é a minha favorita, para quem tem saudade das caretas e trejeitos de Frank Mullen como eu, é só assistir para relembrar. A roda matadora continua, Ricky Myers se movimenta bem pelo palco e incentiva a galera do camarote a fazer 'heys'.

    Antes da poderosa Funeral Inception do Souls To Deny de 2004, Terrance Hobbs - o brincalhão, dá um grito no maior estilo, qualquer coisa dos teclados. Os músicos cada vez mais soltos 'bangueam' mais ainda, na pista 'bangues' e sorrisos, sem mais emendam a veloz Purgatorial Punishment ( outra do Pinnacle Of Bedlam ) e a casa cai. Animado Ricky Myers grita: "I can’t see your fucking horns!" E a galera responde na hora e a roda só aumentando.

    Ao final ele pergunta: "vocês querem um pouco mais? Sim! Nós temos uma pouco mais para vocês! - e prossegue dizendo - "Do segundo álbum Pierced From Within essa é.... Breeding The Spawn!" E tivemos uma porrada incomparável... E vale dizer que no palco não havia nada de decoração e músicos sem balangandãs, galera curte muito. Ricky Myers manda muito bem no microfone, ele vem até a ponta do palco e pede 'horns up' para nós, que atendemos logo, enquanto isso, mais pessoas vão chegando na Tropical Dance Club.

     Ele avisa que a próxima é do álbum Suffocation e toca a Entrails Of You, agora pense numa música boa... é essa! Vem quebrando tudo e tem algumas pessoas que imitam a tremedeira da mão do Frank Mullen. Pulos, gritos e tudo que esses músicos empolgados têm direito de receber do público.

    Ricky Myers só tem tempo de falar: "Good Night São Paulo!" para então receber as nossas palmas e gritos, que eles já cortam para a efervescente Pierced From Within ( título do álbum Pierced From Within ) com solos rápidos de guitarras e cozinha espetacular. O povo ama essa música, lógico e todos os músicos também cantam junto conosco. Terrance Hobbs, sempre ele, vai até Derek Boyer e conta uma piada só pode, porque o baixista não para de rir.

    Infelizmente, chega a hora em que Ricky Myers se despede de nós: "Thank you so much, obrigado! See you next time!" e jogam palhetas, nos cumprimentam ao som de nossas palmas e gritos de "Suffocationnn!!!" e vem os roadies para fecharem as cortinas as 20h. Ok... Ricky Myers é um ótimo frontman, mas alguns como eu sentimos falta de Frank Mullen e seu enorme carisma. Nessa hora já estou varada de fome, e infelizmente. o segurança que estava na porta, não queria deixar a galera sair, ai tive que apelar: meu senhor eu QUERO COMER e não tem comida aqui dentro. Bom conseguir sair e comer um 'dogão honesto'.

Set List do Suffocation

1 - Thrones Of Blood
2 - Catatonia
3 - As Grace Descends
4 - Effigy Of The Forgotten
5 - Abomination Reborn
6 - Funeral Inception
7 - Purgatorial Punishment
8 - Breeding The Spawn
9 - Entrails Of You
10 - Pierced From Within

Belphegor

    Eles estão desde 1991 espalhando seu Diabolical Death Metal Art, pelo mundo, velhos conhecidos do Brasil, essa já é a quinta vez que eles passam por aqui ( as outras foram em 2006, 2007, 2009 e 2011 - no Setembro Negro Festival, confira como foi ), o show foi rápido, mas bem marcante. Às 20h50, começam a tocar algumas notas e as cortinas são abertas, as pessoas vão se espremendo na frente do palco, os austríacos Serpenth no baixo, Bloodhammer na bateria, Impaler na guitarra ( sendo estes presentes somente nos shows ao vivo ) estão de costas e o vocalista Helmuth está com o braço erguido fazendo 'horns up', que faz todos da pista ficarem ensandecidos e gritando sem parar "Belphegor, Belphegor!".

     Feast Upon The Dead, música que ainda não foi lançada em cd e consta apenas na versão limitada do cd/DVD de Conjuring The Dead - que saiu em agosto desse ano - abre o show e já mostra a que veio, com os músicos com Corpse Paint, couro, longos cabelos e muita atitude, e nós empunhando nossas câmeras para registrar cada detalhe desta noite. E como tem acontecido nos últimos shows, eles emendam a In Blood - Devour This Sanctity do Blood Magick Necromance de 2011 levando todos aos 'heys' e enquanto amigos se abraçam, Helmuth lança um belo solo no meio da música, que faz a maioria da galera cantar junto.

     Mais uma do Conjuring The Dead, agora é a vez da infernal Gasmask Terror com as câmeras continuando ao ar e os músicos 'bangueando' muito. No meio da música Helmuth, feliz, ainda joga um "São Paulo" para nós, no palco uma bandeira enorme escrita Belphegor, além de máscara de gás e vários crânios de animais amarrados nos pedestais. Nos intervalos, Helmuth sempre faz pequenos comentários sobre as letras das músicas, mas nunca consigo escutar direito, quanto mais traduzir.

    O pessoal grita ainda mais o nome da banda, enquanto o batera Bloodhammer nos acompanha no bumbo. A cara dos músicos é de pura satisfação... "Ok uma satisfação com toda uma pose true", mas o brilhinho no olhar está lá. Infelizmente, ainda tem gente que não respeita a Lei Anti Fumo e fuma em lugar fechado, para quem não fuma essa fumaça é um martírio. E eu que estava tão feliz por não lançarem no palco as fumaças do mal....

    Voltando a programação normal, eles tocam a cadenciada Impaled Upon The Tongue Of Sathan ( do Blood Magick Necromance ) e essa música conta com um clipe cheio de mamilos polêmicos, sangue, imagens religiosas e uns 'crâniozinhos' para animar as coisas, se faz o seu estilo... assista sem demora a versão 'uncensored'. Vejo o momento mais fofo da noite, onde casais unidos 'bangueam' unidos e de mãos dadas, e também fico observando o baixista Serpenth e suas caras e bocas, além de reparar muita gente no 'hey'.

     O pessoal está bem tranquilo, escutando o som do Belphegor de boa, sem rodas e sem pulos, pois, a atenção está toda voltada para o palco. Helmuth sempre dá um pulinho mais para perto dos fãs que estão próximos dele e nessa hora toda minha atenção fica voltada para umas 'dancinhas' sensuais totalmente desconexas com a desgraceira tocada no momento, mas o que vale é a curtição, seja nas 'dancinhas' à la Black Metal ou sentado com a galera, que chegou muito cedo e já deve estar com o coração na mão lembrando que amanhã é segunda e que o ralo é garantido.

    A furiosa Black Winged Torment ( mais uma do Conjuring The Dead ) é a próxima, começa com uma introdução bem legal e depois explode o caos. E como aconteceu com os músicos do Suffocation, eles não andam muito pelo palco e tocam super concentrados, Helmuth faz 'horns up' e a galera grita, aplaude e pede músicas, todos os músicos cantam essa. Já o guitarrista Impaler faz pose para foto com os ossinhos do pedestal.

    Saio da frente do palco para caçar uma água, quando percebo uma movimentação de fotos e o povo tirando fotos com quem? Com quem? Os mais que simpáticos músicos do Suffocation... Voltando ao show do Belphegor, Helmuth anuncia a Lucifer Incestus ( do primeiro álbum Lucifer Incestus de 2003 ) e essa é muito trabalhada e veloz, como notei no bumbo duplo de Bloodhammer, que estava decorado com caveiras e não parou um minuto. O vocalista pede mais 'heys' e todos acompanhamos.

    Ao final dessa música, todos batem palmas e agora é a vez da soturna Rise To Fall And Fall To Rise ( outra do Blood Magick Necromance ) que acorda a galera e a grande maioria canta junto o refrão, enquanto as cordas se juntam para tocar sincronizadas. O empolgado Bloodhammer se solta de vez e vem interagir com a galera.

    Nessa pausa dramática, todos os músicos voltam a ficar de costas para nós e Helmuth volta a erguer seu braço fazendo 'horns up', porém, quando o braço abaixa vem a pedrada nas orelhas com Bondage Goat Zombie ( que intitula o álbum Bondage Goat Zombie de 2008, sério olha o nome disso! Pensei em uma série de TV com esse nome ) que foi brutal, sem mais. A plateia, por onde olhei estavam todos no 'hey' ou cantando em latim, mas isso é o povo que está colado no palco, a grande maioria só absorve o som dos caras, bom eu acho que essa música merecia no mínimo uma roda só pelo nome, mas ela não aconteceu.

    O vocalista Helmtuh se despede dizendo "São Paulo hey! Obrigado por virem!" e em agradecimento, todos os quatro membros do Belphegor são ovacionados com nossas palmas, sorriem e jogam palhetas para nós, um deles ainda enche a mão de palhetas e joga para galera, além de tudo o que consegue encontrar no palco, e por fim, se retiram do palco às 21h40.

Set List do Belphegor
1 - Feast Upon The Dead
2 - In Blood - Devour This Sanctity
3 - Gasmask Terror
4 - Impaled Upon The Tongue Of Sathan
5 - Black Winged Torment
6 - Lucifer Incestus
7 - Rise To Fall And Fall To Rise
8 - Bondage Goat Zombie

Watain

    Essa é uma banda de Black Metal da Suécia formada em 1998, sempre polêmicos, esse é o seu terceiro show no Brasil ( os outros foram em 2007 e 2010 ), são conhecidos por serem seguidores da 'Ordem Luciferiana Misantrópica', jogar sangue de porco nos fãs e shows bem performáticos. Às 22h25 a cortina do palco é aberta pela última vez nessa noite e os valentes - que resistiram até agora - observam lá em cima: cruzes de cabeça para baixo e símbolos para todo lado, o vocalista Erik Danielsson aparece para acender as cruzes e também as velas que estão no altar na frente da bateria, nisso entram Alvaro Lillo no baixo, Håkan Jonsson na bateria e os guitarristas Pelle Forsberg e Set Teitan.

    Erik Danielsson ergue o braço e eles começam com a instrumental Night Vision do último álbum de 2013: The Wild Hunt ( sim sempre quis falar isso ). Os músicos todos trabalhados nos couros, 'spikes' e 'corpse paint' e lá estão as várias câmeras para registrar esse show, apesar de termos bem menos pessoas na pista agora. Para contrastar logo, o Watain mandou a rápida De Profundis ( outra do The Wild Hunt ) e quem sobrou... se amontoa na frente do palco com os braços para cima.

    Unidos no refrão, Pelle Forsberg e Set Teitan tocam sincronizados, enquanto Erik Danielsson está em todos os cantos do palco. Mais para o fundo eu fico com a galera que 'banguea' mais de boa. Após esta música o vocalista Erik Danielsson então nos saúda: "São Paulo! Brasil! Nos vemos novamente!" E o povo responde gritando o nome da banda e das músicas tudo ao mesmo tempo.

    E os belos riffs de Black Flames March ( mais uma do The Wild Hunt ) agitam a galera, apaixonados pela letra cantam do início ao fim. Erik Danielsson faz umas poses engraçadas enquanto canta e os músicos continuam o caos, mas o tempo vai passando e o povo acalmando na pista. Dramático Erik Danielsson volta cerimonioso para trás do palco e mexe nas suas velinhas do altar, depois volta para assumir novamente o microfone: "Storm Of The Antichrist!" e é do Sworn To The Dark - No Return, que foi lançado em 2007 e é poderosa. Enquanto os mais fãs não param, eu já começo a procurar um canto para sentar, mas ainda vejo mais um músico do Suffocation passando e escuto de um grupo de amigos: "é né? Lembrei que amanhã é segunda!" .

    Erik Danielsson, com certeza, viu minha cara de sono e pergunta: "Oi São Paulo estão acordados? - e rolam gritos sempre - "Bom pra vocês! Há 4 anos atrás lançamos o Lawless Darkness..." - e deste disco eles tocaram a Malfeitor, que marcou a continuação do caos e claro, a galera adora, agita e grita a plenos pulmões, Essa, o pessoal faz até coro, também temos um pouco de energia sobrando no camarote, com pessoas cantando e fazendo o 'horns up'.

    Na pausa, temos muita gente filmando, os músicos saem e quando voltam, Erik Danielsson vai direto para suas velinhas, o que gera comentários do tipo: "minha tia que ia gostar dessas velinhas parece macumba". É a vez da ótima música título do último cd, a The Wild Hunt e os mais fãs agitam como se não houvesse amanhã ( no nosso caso, mais precisamente como se não houvesse segunda! ). Os guitarristas Pelle Forsberg e Set Teitan e o baixista Alvaro Lillo agitam conosco e trocando figurinhas sobre o show do Watain com as pessoas à minha volta confirmo que não sou só eu que acha Erik Danielsson dramático.

    "Sooon Brasil make some noise! This is Total Funeral!" - após esse berro Erik Danielsson nos apresenta uma versão um pouco mais grave da sua voz nessa música do álbum Lawless Darkness, e pouco depois tocam outra deste cd com a Reaping Death, que possui uns riffs diferenciados do resto do álbum - essa eu amei logo de cara - e ainda temos um bom público que interage com os músicos. Essas duas deram uma acordada gostosa nos presentes, que resultaram 'bangueados' violentos em cima e em baixo do palco. No intervalo acontece aquela gritaria: "Erik te amo! Watain, Watain!" e também sempre com pedidos de nomes de músicas. E antes de cada música parece que tem uma oração e logo vem mais uma paulada: a furiosa Devil's Blood ( do Casus Luciferi de 2003 ).

    Erik Danielsson nos convida: "Vamos voltar ao passado para um último beijo? Kiss Of Death"  - ele anuncia a canção do Lawless Darkness, que exibe uma bela pegada Thrash e é divertida. Essa mostra que a bateria da galera está quase acabando, na frente só alguns braços fazem 'hey', mas ainda temos muitas palmas da pista e Erik Danielsson volta para o fundo do palco.

    Enquanto isso, os músicos se despedem de nós, levantam os instrumentos, nos cumprimentam e saem do palco enquanto nós aplaudimos, porém, o som continua rolando e já são 23h30... mas, o pessoal impaciente grita e assovia, Erik Danielsson volta e vai até as pontas do palco, coloca uma mão no peito e a outra aponta para nós ( tipo: "vocês são foda!" ) e pronuncia: "Essa música é para aqueles que escolheram viver fora das normas! Sworn To The Dark" - e então, alguns voltam correndo para frente do palco quando escutam o nome da música que intitula o álbum de 2010, que parece um hino de guerra e quem ficou até agora agita muito.

  

  Erik Danielsson vira seu microfone para nós no refrão, o animado Pelle Forsberg pede 'hey' e eles emendam a On Horns Impaled ( do Black Metal Sacrifice de 1999 ) que foi destruidora. As mãos da casa estão na direção da banda e neste momento um casal me mostra que não há momento melhor para uma D.R. ( se você não sabe... discussão de relacionamento ), que em um show do Watain.

    E por fim o vocalista brada: "Até mais São Paulo!" - e os músicos saem do palco novamente e só volta Erik Danielsson, que cerimonioso apaga todas as velas, ao som de nossas palmas, se vira para nós e nos cumprimenta... dá-lhe mais palmas, mais gritos, mais pedidos de música e gritos de lindo! Sem mais, ele sai do palco e só nos resta a fumaça do palco e as cortinas se fecham às 23h50.

    Foi um festival cansativo? Sim, mais pela espera de quem chegou cedo e tomou sol na cabeça do que pelas bandas. Todos os músicos de todas as bandas - sem exceção - tocaram apaixonadamente e fecham com chave de ouro esse ano de 2014. Que venha a quinta edição do Extreme Hate Festival em 2015 e com mais grandes hordas mundiais!!!

 

Texto: Erika Alves de Almeida
Fotos: cortesia de Ronaldo Chavenco do Coredump
Agradecimentos à Durr Campos e a Dark Dimensions
pela atenção e credenciamento
Fevereiro/2015

Set List do Watain
1 - Night Vision
2 - De Profundis
3 - Black Flames March
4 - Storm Of The Antichrist
5 - Malfeitor
6 - The Wild Hunt

Intermission
7 - Total Funeral
8 - Reaping Death
9 - Devil's Blood
10 - Kiss Of Death

Encore:
11 - Sworn To The Dark
12 - On Horns Impaled

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