The Rolling Stones - America Latina Olé Tour
Abertura: Titãs
Estádio do Morumbi em São Paulo/SP,
sábado, 27 de fevereiro de 2016

    De volta ao Brasil após 10 anos e à capital paulista depois de 18 anos, os ingleses, que desde a década de 60 giram o mundo sob o nome de The Rolling Stones realizaram sua quarta turnê no país, com quatro datas, a primeira no Rio de Janeiro, duas em São Paulo ( sendo a segunda coberta pelo Rock On Stage ) e a última em Porto Alegre/RS.

     Do atual quarteto que hoje são os Rolling Stones, Mick Jagger, Keith Richards e Charlie Watts estão juntos desde o princípio da banda há mais de 50 anos e Ron Wood está com eles desde o meio da década de 70.

    Desta vez, a autoproclamada maior banda de Rock´n´Roll do mundo não está fazendo uma tour de divulgação de um novo álbum ( e nem precisa ), estão apenas celebrando o prazer de tocar e encantar plateias pelo mundo inteiro e nesta noite no Estádio do Morumbi fizeram a felicidade de mais de 68.000 pessoas com alguns de seus clássicos, que estão imortalizados na história do Rock.

Titãs

    Assim como em 2006 nas areias de Copacabana no Rio de Janeiro/RJ ( confira resenha ), os brasileiros do Titãs abriram o show dos Rolling Stones, agora com uma formação mais enxuta, que é a seguinte: Branco Mello no vocal e baixo, Paulo Miklos no vocal e guitarra, Sérgio Britto no vocal, teclados e baixo e Tony Bellotto na guitarra e violão e o músico de apoio Mário Fabre na bateria, que estão realizando a turnê de suporte ao álbum Nheengatu ao Vivo.

    Entretanto, eles inteligentemente aproveitaram a importante oportunidade para desfilarem sucessos dos seus mais de 30 anos de carreira, tanto que, pontualmente às 19:00hs, os Titãs começaram com moral seu show com o sucesso Lugar Nenhum do disco Jesus não tem Dentes no País dos Banguelas de 1987 e já de cara fizeram a galera se mexer bastante com sua apresentação. Sinal que a escolha da atração de abertura, que teve dedos de Lucas Jagger, foi mais que acertada.

    Em seguida, Sérgio Britto nos cumprimenta com um sonoro "boa noite São Paulo" e disse estar muito alegre por estar tocando em casa, desta maneira executaram a AA UU do Cabeça Dinossauro de 1982 e fizeram muitos da plateia pularem com este hit.

    Aproveitando cada instante de seu set mostrar porque são uma das maiores bandas de Rock do Brasil, a próxima foi a Diversão ( outra do Jesus não tem Dentes no País dos Banguelas ), onde pudemos reparar na grande empolgação de Paulo Miklos ao cantar seus versos. Depois foi a vez de recebermos os riffs conhecidos e adorados de Flores ( essa do Õ Blésq Blom de 1989 ), que foi cantada com emoção por Branco Mello e garantiu a vibração dos presentes, que participaram em todas as partes.

    O guitarrista Tony Belloto, que estava andando pelas extremidades direita e esquerda do palco com frequência, nos trouxe em seus solos as primeiras notas de Sonífera Ilha - registrada no primeiro disco autointitulado da banda em 1984 - que fez novamente a multidão agitar. A sempre atual Comida ( outra do Jesus não tem Dentes no País dos Banguelas ) inflamou muito dos presentes, que corresponderam cantando seus versos.

    Em seguida, eles enalteceram o grande prazer que estavam sentindo por estarem em São Paulo participando da abertura dos Rolling Stones e então realizaram uma execução perfeita e puramente voltada para o Punk Rock de Cabeça Dinossauro ( título do disco ), onde tivemos direito à um breve, porém, pesado solo de bateria de Mário Fabre e muita distorção na guitarra de Tony Bellotto. Branco Mello diz todo festivo: "vamos cantar pra vocês..." e assim, a mais leve Marvin do primeiro disco convocou a muitos para cantarem seus versos com a banda em um enorme coro no Morumbi.

    Sérgio Britto assume o microfone aos efusivos gritos de "Titãs... Titãs..." por boa parte da plateia, ele agradece e nos conta que a próxima canção, a pesada Desordem, mais uma do clássico Jesus não tem Dentes no País dos Banguelas, que foi originalmente composta no final dos anos 70 e por incrível que pareça... sua letra não poderia ser mais adequada aos dias que vivemos no Brasil. Com a plateia nas mãos executaram o sucesso Homem Primata ( também do Cabeça Dinossauro ) e seus primeiros versos foram cantados à capela entre os fãs e os Titãs, para então o seu excelente riff de guitarra feito por Tony Bellotto pudesse levar aquela adrenalina aos presentes e fazer muitos socarem o ar.

    Próximo do final do show, Sérgio Britto emenda de forma mais calma os versos "acorda Maria Bonita... levanta vai fazer o café, o dia já vai raiando e a polícia já está de pé..." para depois executarem a versão bem Punk Rock de Polícia e lógico... este sucesso do Cabeça Dinossauro contagiou a todos, inclusive contou com um pequeno trecho da música Fardado do recente Nheengatu. Em mais uma história rápida eles nos informaram que Bichos Escrotos deveria ter sido gravada no primeiro disco, mas, graças à censura da época só pode sair no terceiro, o já citado Cabeça Dinossauro e tome participação intensa dos fãs, afinal, é um dos hits máximos da banda e foi executado com raiva.

    Para o encerramento realizam uma homenagem ao mestre Raul Seixas e complementam dizendo que este gostou do som do Titãs, desta maneira, a canção Aluga-se ( regravada no álbum As Dez Mais de 1999 ) corou um baita show de abertura e mostrou que a pegada atual da banda é porrada, nada de simplicidade, violãozinho, banquinho, etc... é verdadeiramente Rock "sangue no zóio" do jeito que os Titãs se consagraram nos anos 80 devidamente exibidos em pouco mais de 45 minutos.

Set List do Titãs

1 - Lugar Nenhum
2 - AA UU
3 - Diversão
4 - Flores
5 - Sonífera Ilha
6 - Comida
7 - Cabeça Dinossauro
8 - Marvin
9 - Desordem
10 - Homem Primata
11 - Polícia
12 - Bichos Escrotos
13 - Aluga-se

The Rolling Stones

    A saudade do público paulista para assistir um show dos Rolling Stones era imensa e exceção de quem esteve na quarta feira, a ansiedade era gigante em cada um de nós presentes no Morumbi.

    Desta forma, britanicamente no horário marcado, as luzes se apagaram e o vídeo introdutório, que mostrou nos três imensos telões ( dois laterais e um central ), as várias das capas dos 29 álbuns de estúdio, dos 10 ao vivo, além das muitas coletâneas, singles e trechos de alguns clipes da expressiva carreira dos ingleses ( que já totalizam 54 anos ) excitaram todos os setores do estádio. Assim, como no ano passado durante os elogiados shows da Zip Code Tour, a América Latina Olé Tour está brindando as gerações de fãs dos Rolling Stones com shows que só podem serem descritos como memoráveis.

 Início arrebatador

    E Mick Jagger vocais, gaita e guitarra, Keith Richards na guitarra, Charlie Watts na bateria e Ron Wood na guitarra, acrescidos dos exímios músicos de apoio Chuck Leavell nos teclados e backing vocals, Bernard Fowler nos backing vocals e percussão, Darryl Jones no baixo e backing vocals, Tim Ries no saxofone e teclados, Matt Clifford nos teclados e trompa, Karl Denson no saxofone e a 'novata' Sasha Allen nos backing vocals iniciaram o show logo após o tradicional anúncio: "ladies and gentleman... The Rolling Stones..." com o explosivo single de 1968... a Jumpin´ Jack Flash.

   Nesta primeira música da noite ficou claro o tamanho da energia destes senhores de mais de 70 anos ( Ron Wood que é mais novo com 68 ), pois, Mick Jagger com um terno brilhante se movimentava por todos os lados e foi mais à frente da passarela comprovando que mesmo um palco com estas dimensões... para ele parece o de um pequeno clube. Keith Richards estava com um terno verde e Ron Wood com uma blusa preta, sendo que os dois faziam suas guitarras conversarem entre si em solos puramente fincados no Rock´n´Roll, enquanto que Charlie Watts vestia uma camisa amarela passava toda a segurança, precisão e habilidade em seu pequeno kit de bateria.

Seventies...

   Mergulhando nos anos 70 eles nos enviaram a sensacional It's Only Rock 'n' Roll ( But I Like It ), título do álbum de 1974, que foi apresentada de uma forma um pouco mais lenta, para que os solos de dupla Keith Richards e Ron Wood fossem exibidos com ainda mais magia através de suas guitarras Gibson e Fender respectivamente, que além de fazer a maioria cantarem e aplaudirem durante os seus versos, e eles mostraram suas linhas Rock´n´Roll com leves pitadas de Blues, que foram simplesmente fabulosas.

    Carismático como sempre Mick Jagger saúda os fãs com um "oieee São Paulooo... e aí paulistas... e aí galera..." tudo em bom português para que a lindíssima Tumbling Dice ( do Exile On Main Street de 1972 ) conduzisse o vocalista pela primeira fez até o fim da enorme passarela, que adentrava quase no meio campo causando um aumento da alegria dos fãs que estavam naquela parte.

    Sem sossego como sempre, ele vai cantando, gesticulando, remexendo e se direciona para as extremidades direita e esquerda do palco ( não falei que parecia que ele estava em um pequeno clube? ) enquanto que os solos de guitarras continuavam a nos seduzir.

Viajando até 1998

    Deveras animado, o vocalista exclama: "hoje é sábado... vamo quebrar tudo..." e então entre muitas palmas e os "ôôôôôô" da plateia recebemos a Out Of Control do Bridges To Babylon de 1997, que levou minha memória para a primeira vez que assisti os Rolling Stones ao vivo em 1998, no show realizado no Estádio do Ibirapuera. Nesta música, Mick Jagger pegou uma gaita pela primeira vez no show e a tocou com destreza junto aos solos eletrificados de Keith Richards em sua guitarra.

    Antes de anunciar a próxima, o frontman perguntou: "vocês torcem para o São Paulo... Corinthians... Palmeiras... Santos...?" a cada nome pronunciado, víamos enxurrada de gritos dos fãs, ele conclui: "primeira vez que temos os quatro times no Morumbi ahh..." e avisa que a seguinte seria o Rock´n´Roll setentista de All Down The Line ( também do Exile On Main Street ) com Ron Wood tirando seus acordes em uma Gibson Les Paul toda surrada, o que me leva a crer que ele deve adorar o timbre que esta guitarra em específico possui.

    Lembram das 'briguinhas' de Keith Richards e Mick Jagger no palco? Pois bem, nesta hora o guitarrista deu um encarada como se não tivesse aprovando ele chegar tão perto... mas, caaalma... é tudo brincadeira, pois, o 'garoto' de 72 anos não para quieto em nenhum momento do show e sai dançando para outro lado e comandando com facilidade a plateia.

E a escolhida foi...

    Outra característica ímpar desta América Latina Olé Tour é que os Rolling Stones estão possibilitando aos fãs escolherem uma dentre quatro canções a cada show e Mick Jagger informa: "vocês votaram nesta música..." para que seu nome fosse exibido no telão, porém, ele foi irônico: "Não, essa não lembramos como se toca...". Sei... até parece...

    A escolhida deste sábado para meu delírio pessoal foi a psicodélica She´s A Rainbow ( minha preferida entre "Anybody Seen My Baby", "Let It Bleed" e "Dead Flowers" ), cuja gravação original para o Their Satanic Majesties Request de 1967 contou com John Paul Jones ( que posteriormente entraria no Led Zeppelin ) fazendo seus arranjos e nesta noite, nos levou de volta à esta época por um momento... vimos Ron Wood sentado para tocar uma pedal steel guitar e Chuck Leavell enviando a sua belíssima e impactante melodia em seu piano, sendo que o inquieto Mick Jagger dedilhou suas notas em um violão para logo depois emocionar com seus vocais e nos fazer cantar com ele, enquanto nossas mentes mergulhavam na atmosfera do "Flower Power" sessentista.

    Wild Horses foi anunciada por Mick Jagger ( agora com um terno azul ) desta maneira: "uma canção romântica agora..." e a música gravada no Sticky Fingers de 1971 me arrepiou e foi direto para o coração de cada um de nós. Foi interessante reparar que Bernard Fowler e Sasha Allen ficaram dançando agarradinhos e no final Mick Jagger todo amoroso jogou um beijo para a plateia, enquanto Keith Richards e Ron Wood trocavam mais uma vez de guitarras.

    Com Keith Richards mais à frente tivemos Paint It Black ( inclusa na versão americana do álbum Aftermath de 1966 ) com toda a interpretação inigualável de Mick Jagger e também com Ron Wood tocando uma guitarra que se assemelhava à uma cítara criando uma atmosfera psicodélica mais uma vez. O Blues Rock cheio de alta voltagem de Honky Tonk Women ( que saiu em single em 1969 ) levou Mick Jagger outra vez até o final da passarela para de lá reger os fãs, que cantaram com ele eufóricos o refrão deste clássico. E não posso esquecer de mencionar que Chuck Leavell brilhou nos teclados junto aos exuberantes solos de guitarras, que deram mais personalidade à canção.

Coxinhas...

    Mick Jagger pergunta: "tudo bom??" enquanto retornava para o centro do palco e por estar demorando brincou: "...estou devagar porque comi muitas coxinhas..." para em seguida apresentar cada um dos músicos que fazem parte dos Rolling Stones, que foram bastante aplaudidos, entretanto, quando chegou a hora de seus companheiros de banda bradou: "o Rogério Ceni do Rock" se referindo a Ron Wood, que foi muito ovacionado pelos fãs. Na continuação: "a rainha da Bossa Nova... na bateria Charlie Watts", que também recebeu uma 'tonelada' de aplausos e por fim, antes de partir para seu breve descanso: "na guitarra e agora vocais... Keith Richards", que tem seu nome gritado pelos milhares de fãs no Morumbi.

    Este agradece o carinho com um sonoro "obrigado" enquanto ouviu "olê... olê... olê... Richards... Richards..." para pouco depois tocar a balada Slipping Away do Steel Wheels ( de 1989 ) com uma Gibson preta e mesmo com a idade que tem, ele demonstrou uma potência indiscutível na sua voz.

     O coro "olê... olê... olê... Richards... Richards..." voltou e este, agora com uma Fender nas mãos disparou outro de seus ótimos Rock´n´Roll gravados com os Rolling Stones ao longo de sua longeva carreira com a Before They Make Me Run do Some Girls ( de 1978 ), e claro, como é o costume ouvimos mais deliciosos solos de guitarras, além da sua voz rouca e por isso mesmo, cativante.

Fervilhando o estádio

    No retorno, Mick Jagger entra tocando sua gaita e duelando com Keith Richards em um verdadeiro Blues, que segue para uma das melhores canções da trajetória dos Rolling Stones com a Midnight Rambler do excelente álbum Let It Bleed de 1969, que conforme eles realizam desde então em suas execuções ao vivo, mais uma vez foi fenomenal, pois, contou com uma atuação marcante de seu elétrico vocalista, que deixou trechos para que nós participássemos da música, inclusive ele testou nossas cordas vocais com vários "mamama.. ma, ohhh yeaahh... auuuu..." lá do final da passarela, onde percebe-se a facilidade que Mick Jagger lidera a plateia e interage com as notas da guitarra de Keith Richards. Midnight Rambler literalmente nasceu para ser tocada ao vivo, pois, é repleta de improvisos voltados ao Blues, além de contar com solos de guitarras cada vez mais consistentes e eletrizantes em um ritmo gostoso de baixo e bateria que não deixam ninguém parado, enfim, uma eficaz celebração ao Rock´n´Roll que teve seu momento de glória nesta noite.

     Preocupado, o vocalista pergunta se estamos Ok e pede: "cantem comigo..." levando o estádio inteiro para dançar ao som de Miss You ( outra do Some Girls ), onde além da performance incansável de Mick Jagger, que extraiu alguns fortes agudos de sua voz ( quantos anos ele tem mesmo? ) à medida que o baixista Darryl Jones com um Fender Precision Jazz Bass demonstrou em seu solo porque foi escolhido para o lugar de Bill Wyman na banda e posteriormente segurou a melodia junto à Charlie Watts. Mas era hora também da galera dos metais brilharem, ou seja, Tim Ries e Karl Denson também cravaram seus vistosos solos e enquanto isso, Mick Jagger, Keith Richards e Ron Wood foram lá no 'palquinho' do final da passarela e comandaram a satisfação de todos com os "uuuuhhh... uuuhhhh... uuuhh..." nos fazendo aplaudir no ritmo de sua melodia, com direito à um prolongamento não programado feito pelos fãs.

Revelação

    Entretanto, fomos interrompidos pelos solos de Gimme Shelter ( também do Let It Bleed ), que fizeram em seguida toda aquela pulsante galera voltar a cantar com Mick Jagger. A vocalista Sasha Allen saiu de seu posto e foi até o 'palquinho' exibindo muita sensualidade para cantar seus versos com o vocalista no momento em que começou a chover ( na verdade uma garoa um pouco mais forte para nos refrescarmos do calor ), e isso aconteceu como se fosse programado em um efeito especial do show. E vale um comentário, Sasha Allen cantou com personalidade suas partes do dueto com Mick Jagger enquanto nós viajamos em seus solos de guitarras e "uuuuuuhhh...".

    Para colocar fogo na casa, fazer todos pularem e cantarem nada melhor que o megahit Start Me Up ( do Tattoo You de 1981 ), que trouxe seus inconfundíveis e incandescentes solos de guitarras da dupla Keith Richards e Ron Wood, além de alguns fogos lá do alto do imenso palco. E pergunte-me se teve alguém que não berrou à plenos pulmões os versos desta música? Acredito que somente os que estavam em outro plano astral de tanto contentamento...

Majestoso

    Muito prazeroso Mick Jagger berra: "Bom pra caceta..." e no telão vimos as imagens de pentagrama, de bode, só 'coisas do mal', que serviram de introdução para a aguardada Sympathy For The Devil ( do Beggars Banquet de 1968 ) com Chuck Leavell nos exibindo uma saborosa harmonia em seus teclados para conectar cada um de nós à música, de forma que tínhamos que reagir cantarolando "uuhh... uuuuu" o tempo todo, além é claro, seus versos ( lógico que... apenas quem conhecia, pois sabemos que não é uma letra simples para acompanhar ).

    O figurino de Mick Jagger nesta canção era devidamente extravagante e os solos de guitarras foram excepcionalmente bem prolongados pela competente dupla e unidos à vibe do palco, nos enfeitiçando. Aliás, como não é bobo nem nada, Mick Jagger deu uma 'encoxada' em Sasha Allen que olha vou te contar viu...  

    O legítimo Rock´n´Roll contido em Brown Sugar do Sticky Fingers ficou com a missão de finalizar a primeira parte do show instigando nossa participação com a banda, pois, é mais uma daquelas que não deixa ninguém parado, pelo contrário, comprova o tamanho da nossa felicidade ao estarmos assistindo um a show dos Rolling Stones, afinal, tem como não pular com os solos de saxofone e guitarras combinados com a precisão destes músicos e cantar: "I said yeah, yeah, yeah, wooo!" com eles o tempo todo?

A certeza do melhor show do ano...

    Nos instantes que antecederam o bis pude reparar que mais pessoas estavam entrando no palco e assim que as luzes ( aliás, que iluminação nota 10 ) foram ascendidas pude ver várias belas mulheres nos dois lados para realizarem um coro lírico de tal forma como foi registrada a You Can't Always Get What You Want no Let It Bleed, que foi cantada por um Mick Jagger ao violão, trajando uma blusa vermelha e uma boina, com Keith Richards conduzindo os riffs de sua guitarra em uma notável harmonia com os demais produzindo sensações maravilhosas e a plateia ao receber as provocações de Mick Jagger só teve uma reação: participar junto ao chamado Sampa Choir.

    Entretanto, um pouco de nostalgia já batia em nossos corações, pois, sabíamos que o grandioso espetáculo estava terminando.

    Mostrando que estava significativamente contente Mick Jagger grita: "muito obrigado senhoras e senhores, muito obrigado Sampa... bom pra caralho..." e os indefectíveis, lendários, fervorosos e antológicos riffs do hino ( I Can't Get No ) Satisfaction do Out Of Our Heads de 1965 encerrou este inigualável show dos Rolling Stones em São Paulo com todo o Morumbi cantando com eles sem exceção e a maioria da galera da pista dançou revigorada em um júbilo com o maior frontman da história em atividade... o nome: Mick Jagger.

    Em meio a esta sinergia única, alguns fogos estouraram lá no alto do palco durante os solos de Ron Wood e Keith Richards embasados pelas linhas de baixo de Darryl Jones e também pelos pesados - e sempre hábeis - toques de Charlie Watts em sua bateria e posso afirmar seguramente, que todos esses fatos somados nos conduziram à um verdadeiro êxtase coletivo por assistir uma verdadeira aula de Rock´n´Roll ministrada por quatro de seus maiores e mais influentes seguidores.

    Mick Jagger agradece a todos com o tradicional: "Thank You very much" enquanto que Ron Wood e Keith Richards enviam seus últimos solos para nós e mais foguetes explodem consolidando a festa histórica que presenciamos. Reunidos no palco, todos os membros da banda e depois somente os quatro Rolling Stones se despedem sendo aclamados por todas as milhares e milhares pessoas de todas as idades, que viveram nesta noite de sábado, provavelmente, o melhor show de Rock do ano e um dos melhores de suas vidas em mais de duas horas.

    Foi sem dúvidas a melhor das três apresentações que assisti dos Rolling Stones e estes quatro senhores chamados Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Charlie Watts são alguns dos maiores exemplos da vitalidade, da energia e são possuidores de uma expansiva felicidade, que obviamente garantirão muitos shows espetaculares pelo mundo meu caro leitor(a). Espero que as pedras continuem rolando por muito mais tempo para não criarem limo... e que o Brasil possa ser incluído mais vezes em suas futuras turnês.

Texto: Fernando R. R. Júnior
Fotos: Miguel Schincariol - T4F e Fernando R. R. Júnior
Agradecimentos à Tatiana Ito e a equipe da T4F
pela atenção e credenciamento
Março/2016

Set List The Rolling Stones

1 - Jumpin' Jack Flash
2 - It's Only Rock 'n' Roll ( But I Like It )
3 - Tumbling Dice
4 - Out Of Control
5 - All Down The Line
6 - She's A Rainbow
7 - Wild Horses
8 - Paint It Black
9 - Honky Tonk Women
10 - Slipping Away
11 - Before They Make Me Run
12 - Midnight Rambler
13 - Miss You
14 - Gimme Shelter
15 - Start Me Up
16 - Sympathy For The Devil
17 - Brown Sugar

Encore:
18 - You Can't Always Get What You Want
19 - ( I Can't Get No ) Satisfaction

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